Quarta-feira, 30.01.08

Quero dizer aos portugueses

«Quero dizer aos portugueses que entendo a mensagem que quiseram dar-nos (...). Quero dizer aos portugueses que recebi e entendi perfeitamente o sinal que nos transmitiram», disse José Manuel Durão Barroso a 13 Junho de 2004. Quinze dias depois anunciou a sua demissão para assumir o cargo de presidente da Comissão Europeia.
Três anos e meio depois, um novo primeiro-ministro, José Sócrates, também compreendeu a mensagem dos portugueses. Acontece que não há nenhum cargo internacional disponível neste momento.
P.S. -- Francisco Mendes da Silva, tal como todos nós, também não percebe muito bem o que é que o primeiro-ministro compreendeu. João Gonçalves prevê mais problemas de compreensão...
publicado por Joana Alarcão às 23:27 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Críticas de Alegre e receio de Sócrates: uma leitura complementar

O post de Pedro Correia a que me refiro é este. Sobre Manuel Alegre, escrevi alguns posts que talvez se justifique a sua repescagem: aqui (1.2006), aqui (2.2006), aqui e aqui (10.2006), aqui e aqui (7.2007).

publicado por Joana Alarcão às 18:30 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

A felicidade tem destas coisas e os GPS às vezes não ajudam...

A 20 de Dezembro, durante o almoço de Natal com os seus ministros, o primeiro-ministro confidenciou que estava «muito feliz com a equipa» que tinha e que esperava contar «com todos» no início do próximo ano (ver aqui ou aqui).
Moral da história?
A felicidade, como todos sabemos, é um sentimento volátil.
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A prenda maldita
Na altura José Sócrates ofereceu a cada um dos ministros equipamentos de navegação GPS. Resta saber se era suposto utilizar os aparelhos antes ou depois da saída do Governo. Em qualquer dos casos, se eu fosse Ana Jorge ou José António Pinto Ribeiro, até tremia se visse o primeiro-ministro a aproximar-se com um GPS. Quanto aos restantes ministros, a precaução manda que aprendam rapidamente a trabalhar com eles. Quem não souber manter o rumo...
publicado por Joana Alarcão às 12:37 | comentar | partilhar

A remodelação que ainda vai no adro, segundo Alegre

Se a remodelação do ministro da Saúde, António Correia de Campos, pretendia apaziguar os críticos da ala esquerda do PS, José Sócrates desiluda-se de imediato. A reacção de Manuel Alegre não poderia ter sido mais clara: «preferia que [em vez da ministra da Cultura] tivesse sido [remodelada] a ministra da Educação». Ou seja, a remodelação, nos termos em que foi feita, não resolveu nada e arrisca-se a agravar ainda mais a situação do Governo.
publicado por Joana Alarcão às 00:53 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 29.01.08

Rumo tremido

Confirma-se que, afinal, a festa da democracia incomoda. Algo me diz que nos próximos tempos voltaremos a ouvir falar em manter o rumo.
publicado por Joana Alarcão às 20:32 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

A remodelaçãozinha

Uma tarefa incompleta, sem controlo do tempo político e sem recurso a figuras de primeiro plano do PS. Uma remodelaçãozinha nitidamente de fuga em frente e ao sabor das circunstâncias.
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[Adenda]
Manuel Alegre espera que «não haja apenas uma mudança de rosto, mas uma mudança de políticas para salvaguardar, reforçar e preservar o Serviço Nacional de Saúde».
Pois. Pessoalmente espero que haja apenas uma mudança de rosto e uma manutenção de políticas precisamente para salvaguardar, reforçar e preservar o SNS. Espero que só haja mudança na forma de implementação das políticas.
Não sei que garantias dá a nova ministra da Saúde neste capítulo. Ana Jorge foi apoiante de Manuel Alegre nas últimas presidenciais e não é filiada no PS. Veremos se o lado positivo do trabalho desenvolvido por António Correia de Campos será preservado, ou se a escolha de Ana Jorge representa uma cedência à ala esquerda do PS. Na sua primeira declaração pública a nova ministra afirmou que «acredit[a] na reforma em curso e no Serviço Nacional de Saúde». Nos próximos meses veremos, em concreto, o que isso quer dizer.
publicado por Joana Alarcão às 16:28 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Segunda-feira, 21.01.08

O declínio irreversível do Socratismo?

«Começou o declínio -- espero que irreversível -- do socratismo», vaticina Luís Rocha no Blasfémias (20.1.2008). A não ser que Luís Rocha esteja a ver algo que me escapa, ou a ter em linha de conta algo que não estou a imaginar, custa-me a acreditar que estejamos no princípio do fim do Socratismo. Afinal, as escolhas do eleitorado são relativas e o meu problema é o seguinte: alguém está a ver parte significativa dos ex-eleitores de José Sócrates, em especial os chamados swing voters, ir a correr colocar a cruz no boletim de voto no rectângulo correspondente ao PSD de Luís Filipe Menezes?
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Sobre o paralelismo, caro Luís Rocha: a queda brusca e profunda na popularidade de António Guterres começa em Janeiro/Fevereiro de 2000. O desastre da ponte de Entre-os-Rios só ocorre em Março de 2001 (ver slide 5). Começa, precisamente, quando o PSD arruma a casa com os XXII e XXIII congressos, respectivamente em Abril/Maio de 1999 e Fevereiro de 2000 -- os dois congressos de eleição e reeleição de José Manuel Durão Barroso.
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Enquanto o PSD não arrumar a casa -- por arrumar a casa entenda-se correr com Luís Filipe Menezes, ganhar alguma credibilidade com uma nova liderança -- diria que existe um entrave profundo ao declínio irreversível do Socratismo.
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Aliás, especulativamente diria ainda que, tal como no caso do Guterrismo, o declínio irreversível do Santanismo (e antes do Cavaquismo) também só ocorreu depois de a oposição arrumar a casa.
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A existência de descontentamento popular não é condição suficiente para a mudança. É preciso alguém que a consiga capitalizar e não me parece que Menezes esteja à altura do desafio.
publicado por Joana Alarcão às 16:02 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Segunda-feira, 14.01.08

Do que está à espera?


Uma provocação de Jorge Ferreira que de inocente não tem nada...
publicado por Joana Alarcão às 00:56 | comentar | partilhar
Sábado, 12.01.08

Nota positiva, pois claro...

O Estado deitou para o lixo uns quantos milhões de euros na sequência, única e exclusivamente, da teimosia do Governo. José Sócrates demorou quase três anos a aceitar aquilo que era óbvio desde o início. O processo à volta do novo aeroporto de Lisboa não poderia ter sido conduzido de pior forma. Mesmo assim, apesar de ser um autêntico caso de estudo sobre a forma como não deve ser conduzido um processo de investimento público desta dimensão, o editor executivo do Diário Económico, Miguel Costa Nunes, consegue encontrar um ângulo para elogiar José Sócrates:
«A decisão do Governo pela construção do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete tem o perfil de uma boa decisão. Pela forma como Sócrates a sustentou no estudo do LNEC, mas também pelo modo como se colocou ao lado do seu ministro Mário Lino, mesmo que isso ainda lhe venha a custar dissabores. (...)»
Há coisas fantásticas, não há?
Só nos resta pedir desculpa a José Sócrates se, nos últimos três anos, ainda que de forma involuntária, lhe causámos algum transtorno. Quanto ao tempo e dinheiro que foi para o lixo, o que é que isso interessa?
Porreiro, pá...
publicado por Joana Alarcão às 00:26 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Quinta-feira, 10.01.08

Todas as condições

José Sócrates afirmou hoje que Mário Lino tem «todas as condições» para continuar no Governo. No Governo, note-se. O primeiro-ministro não disse que o seu ministro tinha todas as condições para continuar no Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações.
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José Sócrates parece estar a limpar a agenda, de forma metódica. Primeiro a questão do referendo. Agora a localização do aeroporto. Os dois tópicos mais bicudos no espaço de uma semana. No final virá a remodelação?
A ordem não seria despicienda.
publicado por Joana Alarcão às 23:03 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 09.01.08

Um homem perigoso

«Lendo, vendo, ouvindo, átomos e bits», José Pacheco Pereira (Abrupto, 9.1.2007).
publicado por Joana Alarcão às 19:41 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

A linguagem da força, what else?

O que aqui escrevi em Junho de 2007, num contexto diverso, explica agora a decisão de ratificar o Tratado de Lisboa pela via parlamentar. José Sócrates só conhece uma linguagem: a da força. Eis o perverso pragmatismo estratégico, uma vez mais, em acção.
publicado por Joana Alarcão às 19:20 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

68 cêntimos por mês

Pois é, caro Francisco, não seria nada aceitável. Os 68 cêntimos por mês parecem-me muito mais justos.
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P.S. — O gestor dos links cá da casa poderia fazer o favor de actualizar o link para o blogue de Francisco José Viegas? Muito obrigado!
(Ainda tenho mais algumas reclamações a fazer...)
publicado por Joana Alarcão às 01:44 | comentar | partilhar
Terça-feira, 08.01.08

Partido unipessoal

O primeiro-ministro, na solidão do seu gabinete em S. Bento, depois de consultadas algumas almas, decidiu que o referendo ao Tratado de Lisboa se fará por via parlamentar. A decisão, claro, é irrevogável. Isto dito, José Sócrates tinha de levar o assunto à Comissão Política Nacional (CPN) do PS. Tal ocorrerá hoje. Dizer que a forma de ratificação vai ser discutida na CPN é puro delírio. O secretário-geral irá limitar-se a informar a CPN sobre qual será a posição oficial socialista. O PS está reduzido a isto. Eis o 'debate' que aí vem: dócil e bem comportado. Aquí no pasa nada.
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[ADENDA]
Afinal, «a celeridade anunciada da decisão governamental indicia[va] que Sócrates se poder[ia] estar a inclinar para a convocação»...
...da CPN!
publicado por Joana Alarcão às 23:57 | comentar | partilhar

Modo funcionário de governar

Não faltariam seguramente a Alexandre O'Neill, nos dias que correm, motivos de inspiração. Sim, José Sócrates é um poço de inspiração e disso deve estar double proud.
Cada dia que passa insiste, de forma irritante, em confirmar a tese de Joaquim Aguiar de que hoje somos governados por funcionários.
publicado por Joana Alarcão às 22:05 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Não era preferível não aumentar?

De facto, 2008 vai ser ainda melhor do que 2007. Isto é capaz de ser um bocadinho, mas apenas um poucochinho, ridículo. Digo eu...
publicado por Joana Alarcão às 20:34 | comentar | partilhar

O respeitinho só funciona com os indígenas?

Depois do recente episódio com o ex-embaixador norte-americano em Portugal, Alfred Hoffman, agora foi a vez do primeiro-ministro da Eslovénia e presidente em exercício do Conselho da União Europeia, Janez Jansa, se sentir no direito de publicamente opinar sobre decisões a tomar no âmbito da política interna portuguesa.
Isto está bonito. É impressão minha, ou há aqui um probleminha?
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P.S. — Uma vez sem exemplo, de acordo com Paulo Portas quando afirma que «alguém do Governo devia dizer ao Governo da Eslovénia que Portugal é um Estado soberano, com instituições próprias e soberanas» (Lusa via Público online, 7.1.2008).
publicado por Joana Alarcão às 14:34 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Segunda-feira, 07.01.08

Sócrates no País das Maravilhas (2)


«As asneiras das Janeiras», por João Villalobos (Corta-Fitas, 6.1.2008).
publicado por Joana Alarcão às 09:00 | comentar | partilhar
Domingo, 06.01.08

Sócrates no País das Maravilhas


«Tenho todos os motivos para vos dizer que o ano de 2008 será ainda melhor que o de 2007», disse José Sócrates (Lusa via RTP Online, 6.1.2008).
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Nonsense, puro e duro. Evidentemente, Sócrates não tem todos os motivos, nem de perto nem de longe. Não tem, aliás, nem todos nem muitos motivos para estar particularmente optimista, tendo em conta a conjuntura internacional.
publicado por Joana Alarcão às 20:22 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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