Quarta-feira, 17.06.09

A "entrevista" a Sócrates

Cutchi-cutchi-cutchi.
Bilu-bilu...
publicado por Carlos Botelho às 21:16 | comentar | partilhar

Em directo

Isto a que estou a assistir na Sic não é bem uma entrevista. Parece mais um frete que a estação de tv está fazendo ao primeiro-ministro, para que ele se espraie à vontade nas suas banalidades (versão humilde), sem ser contrariado nem contraditado.
Uma Ana Lourenço amedrontadinha, quase doce, com a vozinha quase num fio. Um passarinho diante dum galaró matraqueante.
publicado por Carlos Botelho às 21:10 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Segunda-feira, 15.06.09

Última hora!

O senhor primeiro-ministro descobriu a humildade: vi-o agora mesmo com estes dois que a terra há-de comer. Acaba de, humildemente, abrir passagem à humildade, antes de entrar, humilde, na reunião da sua comissão política. Há que "assumir com humildade a derrota eleitoral", confidenciou-nos ele, com candura.
Chegou mesmo a franzir os olhos, num sofrimento todo compreensivo, quando qualificou as "reformas" que o seu governo tentou como "ásperas".
Trata-se de um problema de "comunicação", claro. Só colou a aspereza, que chatice.
Agora esqueçamos o senhor primeiro-ministro e pensemos numa personagem em abstracto. Se um abstracto fanfarrão espalhafatoso, depois de lhe torcermos os narizes, nos viesse depois com humildade ainda fresquinha a escorrer da voz, levá-lo-iamos a sério? Espero que não.
publicado por Carlos Botelho às 22:20 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 05.06.09

A Ordem


Quando li este belo post da João, lembrei-me de hoje ter encarado um curioso outdoor do PS que rezava qualquer coisa do género 'O PS combate a crise e a oposição combate o PS'.
O texto do outdoor ecoa precisamente a gritaria desta noite. Ao dizer aquelas inanidades, Sócrates coloca-se num plano não-político qualitativamente diferente da oposição em bloco. Não se trata de haver propostas diversas, divergentes das oposições relativamente ao seu PS. Não. Segundo o "discurso" "socrático", a oposição não propõe, não é alternativa. Tudo se passa como se Sócrates retirasse a condição política às oposições - elas encontram-se num plano moralmente inferior (e não oposto ao mesmo nível), são intrinsecamente desprezíveis, porque se limitam a destruir. Elas são o Caos, o governo é a Ordem. Sócrates grita: 'Não temais! Eles só destroem, mas eu estou aqui para continuar a construção.'
Este é um discurso intrinsecamente não-democrático e, num sentido, roça o a-político. Neste ponto de vista, não há o confronto, a concorrência, entre duas "ordens". Há uma "ordem" e uma "desordem". Sócrates não vê "competidores" ou "rivais". Ele vê-se sozinho. Está ele só diante do povo e o povo não tem mais ninguém senão ele. Sócrates não se apresenta realmente como uma escolha entre outras possíveis - porque ele não reconhece os outros como alternativas a si. Os outros existem, não como alternativas possíveis, mas precisamente como "outros impossíveis". Os outros partidos não constroem uma outra coisa. Os outros partidos destroem.
Ele é o homem resistente, brutal e providencial que nos salva do "caos" dos outros. Ele grita, berra, quer fazer-se ouvir mais do que os outros, esbraceja, aparece, aparece, aparece sempre - quer ser mais visto do que os outros - porque quer ser só ele a estar no palco, só ele tem uma "forma" para dar - os outros, como "caos", são "informes". E o "caos" é negro, como as campanhas.
No parlamento, não há cinco Partidos. Há dois: o PS e "os outros". De um lado, o lado "positivo", "construtivo" e "responsável", temos o PS/governo; do outro, temos a "coligação negativa" ou, fazendo uso das classificações selvagens que só intentam lançar a confusão, temos os "reaccionários de esquerda" ou o "PSD que é um PCP da direita", etc.
Este nosso primeiro-ministro retoma a imagem do governante esforçado que luta com unhas e dentes (mesmo que sem princípios) contra estes e aqueles "privilegiados" e que só não "faz mais", coitado, porque o não deixam. Porque há uns malandros que "só dizem mal", são "pessimistas" e "negativistas" e vão sabotando o trabalho do homem.
Sócrates pretende fazer vibrar a corda de um "reaccionarismo" profundo que olha sempre com desconfiança para quem não está no Poder e o contesta. Essa disposição, antes de ponderar as partes em confronto, decidiu já que o governo, ou, ainda melhor, o Chefe, merece mais crédito do que aquele que se lhe se opõe.
publicado por Carlos Botelho às 01:48 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Cambada de comunas (*)

(*) Segundo a visão brilhante do Professor Vital Moreira. Uma visão merecedora de análise...

publicado por Carlos Botelho às 01:02 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 03.06.09

Triste spectaculum

A insolência desrespeitosa, que seria sempre insuportável para quem quer que fosse, mas pior quando é dirigida a quem foi eleito por quem apenas foi "lá" posto.
O desprezo do diminutivo, que escarnece daquilo que nos torna a todos iguais na nossa soberania.
O gozo do "dever(!) cumprido" lançado às caras incrédulas dos outros, que sabem que esse "cumprimento" transformou lugares vivos em cemitérios abandonados.
O arremesso sem-vergonha da mentira.
O descaramento da barbárie.
Esta é a gente de que Sócrates gosta de se rodear.
Mas ouçam, ouçam...
publicado por Carlos Botelho às 02:14 | comentar | ver comentários (9) | partilhar
Terça-feira, 02.06.09

A fala de Vital Moreira

Trafaria, Almada, apropriadamente numa estação de tratamento de lixos, o candidato Vital Moreira queixava-se de haver 'certas mentes púdicas que não gostam de certas palavras...' e que, em vez de 'roubalheira', poderia dizer... 'subtracção' do BPN.
Mas não, Vital Moreira, assim, não tratou o lixo por si produzido há dias. O cheiro continua insuportável (e pode sempre pegar-se às suas hostes). O candidato apenas se fez desentendido. Não fosse ele um Professor de Coimbra ('Meu Deus!'), e eu diria que temos aqui um caso de esperteza saloia. É que a porcaria, se assim me posso exprimir com propriedade semântica, está, não na palavra escolhida, mas na associação maliciosa, no vínculo, que o candidato, brilhante, estabeleceu entre o "roubo" e um Partido enquanto tal.
Mas, se querem que vos diga, o que mais me chocou ali foi ter escutado a expressão 'certas mentes púdicas' da boca do candidato, mesmo ao lado de Edite Estrela (acompanhante na excursão aos lixos), que o não corrigiu. Por mais que Vital Moreira vareje, nervoso, os crânios dos outros candidatos, nunca lá achará uma mente "púdica" - coisa que não existe. Descobrirá antes, se a conseguir reconhecer, uma ou outra mente pudica.
O cabeça-de-lista do PS, como se tem visto, manifesta grandes dificuldades no uso do pudor na sua linguagem (política). Custa-lhe dizê-lo.
Vital Moreira não sabe que a qualidade do pudor não é esdrúxula. É grave.
publicado por Carlos Botelho às 23:21 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Segunda-feira, 01.06.09

Marinho Pinto - populismo reaccionário

Ainda há pouco tempo, pudemos ver o Bastonário da Ordem dos Advogados fazendo aquela fita confrangedora em directo no Telejornal TVI da Manuela Moura Guedes. Pelo conteúdo da gritaria, todos percebemos muito bem que ele não se referia apenas a si como "vítima" daquele noticiário: o alcance era mais vasto...
Há dois dias elogiou e apregoou a abstenção. Ora, nem é preciso pôr aqui as duas letrinhas que designam o Partido que, nestes tempos que correm, mais tem a beneficiar de abstenções e brancuras...
Há horas atrás, sob o pretexto duma acção movida pela Ordem contra o Estado, pelos atrasos deste nos pagamento aos advogados que prestam apoio judiciário, Marinho Pinto saíu-se com esta maravilha: 'Os advogados são pessoas responsáveis e sérias, não vão utilizar esse tipo de arma [a greve] para obter o ressarcimento dos seus créditos. Isso pertence a outro tipo de profissionais - esses é que fazem greves e não olham aos interesses dos cidadãos.'
Que tal?...
Ficamos a saber que médicos, enfermeiros, guardas, operários, professores, funcionários, etc, é tudo gente pouco séria e irresponsável que tem o desplante de, volta e meia, fazer greves (ou outros exercícios desprezíveis como manifestações que atrapalham o trânsito), vá-se lá saber porquê, contrariando, pressupõe-se, o governo, que tem sempre razão (e de que governo se trata, neste nosso contexto socialmente tão animado?) e decerto com o único intuito doloso de prejudicar "os cidadãos". A greve como aleijão moral.
Sócrates escolheu mal o seu cabeça-de-lista.
publicado por Carlos Botelho às 01:25 | comentar | ver comentários (7) | partilhar
Domingo, 31.05.09

Patriotismo


Leiam a faixa. Isto, sim, é patriotismo efectivo. Diga o que disser o cinismo auto-complacente e míope (aliado objectivo de Sócrates) que ainda vai orneando por aí, aquela faixa é, de facto, a expressão de uma inquietação cívica que não devia deixar ninguém dormir tranquilo. Esqueçam a gritaria insultuosa de Sócrates e da sua gente, esqueçam o dedinho ridículo do Chefe espetado a acusar "instrumentalizações" e a denunciar "privilégios" - ele pretende apenas distrair-nos do que realmente importa. Sócrates não nos deixa ler aquela faixa - esbraceja, grita e bate o pé, porque, no fundo, sabe que aquela inscrição está certa e é a revelação do imenso logro da sua "revolução da educação".
Aquela faixa é escrita no limiar da Escola, à beira de uma outra coisa que este governo tem precipitado nos últimos quatro anos.
Aquela faixa avisa-nos: 'Aqui acaba a Escola e começa uma outra coisa qualquer.'


[Foto de Leonor Areal - tirada daqui.]
publicado por Carlos Botelho às 12:00 | comentar | ver comentários (10) | partilhar
Sábado, 30.05.09

Estimativa

Hoje, em Lisboa... vinte mil bota-abaixistas juntos a vinte mil pessimistas, mais vinte mil negativistas e... ainda vinte mil insultistas. Desmancha-prazeres que insistem em se furtar à feira das ilusões de um certo Sócrates. Teimam em mostrar que há qualquer coisa por detrás da permanente tela "socrática" - qualquer coisa que é irredutível à propaganda do governo. Ninguém melhor do que estes para o fazer. Afinal, num certo sentido, trata-se de gente treinada precisamente na distinção entre a "aparência" e a "realidade" - são muito sensíveis à manipulação daquilo que reputam importante. Muito susceptíveis a permutas entre o verdadeiro e o falso.
Sessenta mil privilegiados, claro.
publicado por Carlos Botelho às 22:49 | comentar | ver comentários (16) | partilhar
Sexta-feira, 29.05.09

O aplauso


Nem vale a pena esperar do primeiro-ministro qualquer coisa remotamente parecida com uma condenação das maravilhas de oratória expelidas ontem por Vital Moreira e por Capoulas Santos. Qualquer candidato a grunho sabe que pode sempre contar com o silêncio aplaudente de Sócrates quando perder o pudor e abrir a boca. E como não? É esse o estilo que o primeiro-ministro aprecia. E tem praticado nos últimos quatro anos. Não esqueçamos que Sócrates nunca pôs na linha as suas criaturas mais desbocadas. O que é compreensível - o criador reve-se nos vagidos das suas criaturas. É humano.
E como se sabe, a tolerância (quando não o prémio) de certos "comportamentos" ou discursos, por parte daquele que devia zelar para que não acontecessem, só vai fomentar a sua reprodução. Entra-se num crescendo de insolência, mau-gosto, quando não má-criação. A deselegância compensa.
É claro que há personagens que assumem melhor esse papel do que outras. Há sempre quem não tenha estômago para certos modi loquendi ou não se reveja neles. E esses são, como é da praxe, olhados com um desprezo indignado ou tratados abaixo de cão pelos cavernícolas de serviço.
Vital Moreira já se tinha referido às manifestações de rua como manadas (metáfora que diz muito), Capoulas falou ontem da trupe do PSD. Amanhã, poderá um deles falar dessa súcia do Bloco de Esquerda, da cambada do PCP ou desse gang do CDS/PP. Este é o tipo de linguagem incendiária que pode muito bem aquecer o Verão que aí vem. E aí não teremos apenas o calor das palavras, mas também o dos actos. É que o calor da linguagem política transmite-se muitas vezes à acção. Os cavalheiros em apreço deviam lembrar-se disso.
publicado por Carlos Botelho às 22:46 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

"Um Professor de Coimbra, meu Deus!..."


Sim, realmente, meu Deus...
Que insinuações miseráveis são estas?... O desespero (com a inépcia) é tanto que agora já vale tudo?...
E qual é verdadeiramente o sentido político de se dizer que um Partido é mais moral do que outro?... O que significa avaliarem-se Partidos por critérios "morais"?
O Partido x é mais honesto do que o Partido y.
Isto é misturar a política com outro tipo de coisas. E estas promiscuidades nunca deram bom resultado...
Avaliar-se Partidos por critérios morais é colocar-se num ponto de vista exterior à política. Um ponto de vista superior.
Vital Moreira, um candidato de fugir.
publicado por Carlos Botelho às 02:16 | comentar | ver comentários (13) | partilhar
Quarta-feira, 27.05.09

Ter jeito prà política, ter jeito prà política, ter jeito prà política (*)

'Não basta só dizer mal! Não basta só dizer mal!!... Não basta só dizer mal!!!'

Assim gritava hoje transpiradamente Sócrates em Castelo Branco. Já se sabia que o senhor primeiro-ministro nos toma a todos por imbecis, mas não imaginava que também nos tomasse por surdos.

(*)
publicado por Carlos Botelho às 23:21 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Em cheio

"Reconhecem-lhe [a José Sócrates] dons oratórios. Discordo. O senhor é tão-só um pugilista da frase previamente fabricada (para o observador atento são significativos os seus erros discursivos: diz perdão, faz rewind e carrega no forward para prosseguir sem pestanejar). O seu vício para reduzir a argumentação ao pugilato verbal é irrecuperável (...)."

Santana Castilho, "Carta aberta ao primeiro-ministro", hoje, no Público.
publicado por Carlos Botelho às 19:28 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 26.05.09

O insulto, a calúnia, o ataque pessoal, o bota-abaixismo

Podem ver aqui insultos ao senhor primeiro-ministro perpetrados em plena luz do dia.
[Algumas imagens podem ferir a sensibilidade de pessoas insensíveis.]
publicado por Carlos Botelho às 00:39 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Sexta-feira, 22.05.09

O desperdício vocal na António Arroio

A Escola António Arroio sempre foi uma escola "especial". Com uma ecologia muito característica. (E. g. a Alameda das Ganzas.) É daquelas escolas com uma noção muito forte da sua individualidade - durante décadas, não se sentia como apenas mais uma entre outras. E justamente. Ora, estas "consciências de si" são sempre acompanhadas de uma grande susceptibilidade.
É claro que chamar "fascista" a Sócrates é, tecnicamente, uma parvoíce. Nem merece a pena gastar mais do que uma linha a "condenar" isso. Não só por ser, tecnicamente, uma acusação demasiado ridícula para ser considerada, mas também porque os lamentos demasiadamente prolongados sobre a coisa só vêm favorecer o próprio Sócrates.
Temos um primeiro-ministro que, permanentemente, nos antepõe cenários, biombos que escondem a realidade e no recinto dos quais ele faz os seus números. Esses biombos de propaganda nunca podem ser retirados, porque, se levanto um, há logo outro por detrás do primeiro que o substitui. O que aqueles rapazes e aquelas raparigas hoje fizeram foi empurrar os biombos com estrépito. (Sócrates, na impunidade do costume, julgava ele, arengava sobre, imagine-se, a "criatividade", quando o tumulto começou lá fora.) Isto permite saber, dá a ver, que existe uma realidade por detrás do cenário, que a realidade não acaba onde acaba o discurso de Sócrates.
Com o cenário destruído, Sócrates desaparece, deixa de ser. É uma máscara que não esconde um rosto, mas sim a ausência de rosto. E lá foi ele - acossado, depois de encurralado.
(Andava por lá um rapaz brandindo, como um guerreiro, uma guitarra com a palavra 'fascista' inscrita. Será uma coincidência, ou ele saberá do Woody Guthrie, em cuja guitarra se podia ler 'This machine kills fascists'?)
Se fossemos perguntar àqueles alunos o que entendem por 'governante fascista', diriam talvez que é um sujeito autoritário, arrogante, que despreza as oposições, que destrata os adversários, que estimula (ou, pelo menos, tolera) comportamentos persecutórios dos serviçais, com uma permanente propaganda imagética, que se fixa num ou noutro fetiche de monomania dessa propaganda (o Magalhães), etc. Provavelmente, de um modo mais ou menos confuso, será numa personagem assim que pensam - não em criaturas fardadas, percorrendo avenidas em passo-de-ganso, entretidas a fuzilar opositores e a enviar inocentes ("culpados objectivos") para campos de concentração.
Que querem?... Há quarenta anos estas cenas seriam impensáveis - mas há quarenta anos (e há trinta...), os alunos sabiam quem era Marx, Hitler tinha sido derrotado só vinte anos antes e havia dois blocos no mundo... Aqueles alunos (e espero não ser injusto ao dizer isto) passam por uma espécie de "revolta" para com um horizonte indefinido (ainda que povoado por obstáculos bem reais, concretos), uma "revolta" sem objecto ideológico determinado.
No entanto, à sua indeterminação ideológica também não corresponde, diante de si, uma determinação ideologicamente consistente. Diante de si têm apenas o rosto de Sócrates. Tudo se passa como se aquele rosto encarnasse apenas uma vontade. Uma vontade que se esgota a si mesma. Não há ali um qualquer construto "ideológico" ou "programático" que fornecesse, de um modo que não fosse meramente atemático, um quadro em cujos limites aquela vontade se exercesse. Não. A vontade (a faculdade infinita, para Descartes) está "ideologicamente" solta, como que infinitamente solta, para se exercer neste ou naquele sentido de uma forma indeterminada. E quando aparece algo que poderia ser interpretado como um esteio ideológico (as famosas "questões fracturantes"), isso, na verdade, não passa, para Sócrates, de um mero adereço instrumental, de um adorno que visa disfarçar o vazio.
Por isso, a Sócrates, não se pode chamar 'fascista'. Porque não se lhe pode chamar nada. Ideologicamente, ele nada é.
publicado por Carlos Botelho às 21:44 | comentar | ver comentários (20) | partilhar
Quinta-feira, 21.05.09

O desejo e a realidade

No Outono de 1942, começava a Wehrmacht, toda metal e lagartas, a entrar na Caldeira de Estalinegrado, quando, em Berlim, aquela curiosa personagem, determinada e corajosa (toda ela pulsão reformista), que andava por lá a esbracejar, abanando a melena, ia repetindo com convicção: Der Russe ist tot! Der Russe ist tot!
Lembrei-me, ao encontrar este episódio de humor triste. Das stimmt.
publicado por Carlos Botelho às 16:52 | comentar | ver comentários (13) | partilhar
Sexta-feira, 11.07.08

O Príncipe dos Ladrões


Sócrates, ontem, no debate, lá fez o seu número de virgem pequeno-burguesa chocada que, coitadinha, mal podia acreditar no que tinha escutado. Mau número. Se a gritaria se desse num palco, Sócrates seria homenageado com uma valente pateada e receberia em cheio os merecidos tomates volantes.
Desta vez foi Louçã o alvo (estupefacto) do chinfrim "socrático".
Trata-se duma metáfora idiota e miserabilista: a "Taxa Robin dos Bosques". Não me interessa agora se é justa ou injusta, inútil ou vantajosa para a generalidade do público (embora suspeite que o não é...). A propósito da alegada insuficiência da taxa, Louçã disse qualquer coisa do género: 'O verdadeiro Robin dos Bosques não se reunia com os ladrões dos castelos e dividia o roubo com eles - três para ti, um para mim.'
É claro que a imagem de Louçã não foi inocente. Nem o podia ser - se não, para quê dá-la? Mas Sócrates aproveitou o pretexto retórico e, de esguelha, não frontalmente, lá se meteu pela costura. Todos pudemos assistir à teatrada - os trejeitos indignados, as caretas assanhadas, o dedo tiranete espetado quando bradava banalidades como 'o insulto é a arma dos fracos!' (desde que a descobriu, que não se cala com aquilo) e chegou à desfaçatez de gritar para o outro 'tenha tento na língua, sr. deputado!'. A cegarrega lá continuou - e receio bem que tenha exagerado no número: prolongou demasiado a coisa, repetiu as tiradas escandalizadas para lá do suportável, isto é, somou ridículo ao ridículo. Parece-me que, a partir de certa altura, já ninguém conseguia ouvir o homem e todos estavam já incomodados com a cena.
Mas, na verdade, Louçã limitou-se a prolongar a metáfora - que Sócrates cria benéfica para si. A este caso, não se aplica o omne simile claudicat, mas apetece dizer omne simile mordet... Se eu me referir a um indivíduo como burro, estou a querer dizer que a criatura é um simpático quadrúpede de orelhas felpudas? Não. Quero dizer que é estúpido ou teimoso. Se eu disser que Sócrates saiu do debate a lamber as feridas, será que todos me vão saltar em cima acusando-me de lançar o boato dum acidente grave do primeiro-ministro e a calúnia duma sua curiosa parafilia? Se eu disser que Maria de Lurdes Rodrigues é uma harpia, quero dizer que se empoleira na Cinco de Outubro uma monstruosa criatura em topless, com corpo de abutre e que de mulher só tem a cabeça? Claro que não. Talvez pretenda que a personagem é malfazeja e grotescamente desagradável nas suas medidas. Sócrates faz autênticas palhaçadas? O quê, ele apresenta-se com uma bola vermelha no nariz e peruca cor de laranja? Ou trata-se das suas momices e gritaria pouco próprias? A generalidade do Grupo Parlamentar do PS parecia ontem um rebanho? Quer isto dizer que, de repente, no calor da tarde, por sádico milagre, os deputados se viram sufocados numa lã espessa enquanto baliam aflitos?
publicado por Carlos Botelho às 01:52 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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