Sexta-feira, 11.01.08

O que espera?


Fonte: Expresso/SIC/Rádio Renascença/Eurosondagem (11.1.2008).
Não comento sondagens, por regra, ainda por cima numa altura em que não existe no horizonte um acto eleitoral. Trata-se um exercício perigoso e, em larga medida, pouco relevante. Abro aqui, todavia, uma excepção. Mais um longo mês que passa e Luís Filipe Menezes não consegue descolar nas sondagens. Tal, em si, nem seria particularmente relevante, se não fosse Menezes o autor das seguintes linhas:
«O que eu peço aos militantes é que olhem para estes indicadores e percebam que o PSD não arranca nas sondagens. Precisamos de uma oposição construtiva e diária e não de uma oposição dia sim, dia não». O PSD «precisa de se distinguir do PS» (DE, 27.7.2007).
O mesmo Menezes que depois de um fogacho inicial dizia:
«É simpático. É moralizador, mas somos realistas. Ainda não fizemos por merecer isso. Temos de fazer por merecer». «É um bom sinal. Um sinal de que existe uma possibilidade de os portugueses poderem ter uma lógica de alternância democrática do poder, mas não embandeiramos em arco» (Lusa via DD, 26.10.2007).
Menezes, entretanto, deixou de comentar sondagens, o que nos privou de o ouvir dizer que os resultados deixaram de ser simpáticos e moralizadores. Privou-nos de o ouvir dizer que eram um mau sinal quanto à possibilidade de se avizinhar uma lógica de alternância democrática sob sua tutela. A sua oposição construtiva e diária, pelos vistos, não convence.
publicado por Joana Alarcão às 21:39 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Onde é que estava Menezes?

Miguel Relvas recorda que foi «uma das pessoas que mais lutou contra a construção do novo aeroporto na Ota» e «a primeira pessoa a falar na hipótese de Alcochete, em Março de 2007» (Lusa via RTP online, 10.1.2008).
Certo. Só faltou recordar a proposta de referendo, mas isso agora não interessa nada...
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O ex-presidente da Comissão de Obras Públicas, Transportes e Comunicações (COPTC) não quis deixar de vincar publicamente a sua posição. A mensagem interna não poderia ter sido mais clara. Luís Filipe Menezes, que não foi uma das pessoas que mais lutou contra a construção do novo aeroporto na Ota, nem a primeira pessoa a falar na hipótese de Alcochete, percebeu-a seguramente...
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A política dá muitas voltas. Em 2004, quando nada podia decidir, Menezes dizia que Relvas era o único que manteria no cargo. Em 2007, quando podia decidir alguma coisa, afastou-o da COPTC. No que diz respeito a Relvas, Menezes que se cuide.
publicado por Joana Alarcão às 02:03 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 09.01.08

A derrapagem

A memória, sempre a memória. Segundo o mandatário financeiro de Luís Filipe Menezes na corrida para a presidência do PSD, Nelson Cardoso, a campanha deveria custar entre 65 e 100 mil euros (Lusa via DD, 9.8.2007). Em vez disso custou, segundo dados oficiais provisórios, 192 mil euros. É difícil imaginar uma derrapagem maior. Dito isto, aqui entre nós, não digam a ninguém. Ainda algum jornalista pode sentir uma súbita vontade de confrontar Menezes com tão insignificante discrepância. Ou com o facto de Menezes ter anunciado na altura a intenção de apresentar um projecto de lei no Parlamento para regular as campanhas eleitorais internas dos partidos políticos, o que até agora não aconteceu. Falta de tempo, talvez?
publicado por Joana Alarcão às 02:32 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 08.01.08

O desnorte de um homem do norte

Enfim, porventura posso ser eu que não estou a ver bem as coisas, mas parece-me impressionante o desnorte do PSD: ministro das Finanças, Banco de Portugal, CGD, BCP, ninguém escapa. O PSD faz o pleno e critica tudo e todos. O resultado? Quando tudo se critica, tudo é essencial e irrelevante ao mesmo tempo. O PSD perdeu por completo a noção daquilo que era verdadeiramente essencial: o BCP. Era aí, em exclusivo, por motivos vários, que deveria ter apontado os holofotes.
Sejamos claros. Não é por acaso que o Governo prescinde de Carlos Santos Ferreira à frente da CGD. Era do interesse estratégico do PS conquistar o controlo do BCP. A CGD, na ordem relativa das coisas, era secundária. Valia a pena perder a presidência da Caixa — mantendo o controlo accionista — a favor de um prémio maior: o BCP.
publicado por Joana Alarcão às 14:53 | comentar | ver comentários (9) | partilhar
Domingo, 06.01.08

Newspeak de Menezes

«Fala em partidarização dos lugares na banca, mas quando esta questão se colocou foi o primeiro a pedir que fosse nomeado para a Caixa um gestor da área do PSD.
Não fui eu que disse isso (...). O que disse é que, atendendo às circunstâncias actuais de funcionamento da sociedade -- que espero que se modifiquem no futuro --, se devia manter a prática que vinha do tempo dos governos do prof. Cavaco Silva de marcar simbolicamente a liderança de duas instituições com tanta importância e tanto peso como a Caixa e o BdP escolhendo gestores, naturalmente competentes e insuspeitos, mas que, por serem de sensibilidades políticas diferentes, fossem capazes de passar para o exterior sinais de equilíbrio», sublinhou Luís Filipe Menezes (PÚBLICO, 6.1.2007: 2).
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Realmente, Menezes não disse isso... O que disse foi o seguinte:
«Luís Filipe Menezes considerou que Cadilhe "seria um grande presidente da CGD", afirmando que "está na altura de o Governo nomear para presidente da CGD uma personalidade próxima da área do maior partido da oposição". "Era aquilo que o PSD quando estava no poder fazia. Cavaco Silva fez isso numa lógica ética de equilíbrio de poder. Espero que agora não haja o apetite de controlar tudo e todos", sustentou» (TSF, 22.12.2007).
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Como facilmente se confirma, Menezes «[não] foi o primeiro a pedir que fosse nomeado para a Caixa um gestor da área do PSD».
publicado por Joana Alarcão às 16:05 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 04.01.08

Pose de Estado e carros pretos

Abordando aquilo que verdadeiramente interessa, gostaria de saber se Luís Filipe Menezes, na sua recente deslocação à Anadia, cumpriu as directivas de imagem. Relembro:
«Além de não poder continuar a viajar de avião em económica, mas apenas em executiva, o líder social-democrata vai passar a fazer-se acompanhar nas deslocações que fizer pelo país por "dois ou três carros escuros e um staff de três ou quatro pessoas". À imagem e semelhança do primeiro ministro.»
Ângela Silva, «O guião de Menezes para chegar ao poder» (Expresso, 17.11.2007: 5).
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Os carros eram escuros?
Como qualquer pessoa sabe, sem carros escuros não há pose de Estado escorreita.
publicado por Joana Alarcão às 13:50 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Newspeak de Menezes

«O Governo do PSD faria de forma diferente, não fecharia urgências que no quotidiano as pessoas sentissem a falta delas», sublinhou Luís Filipe Menezes (DN, 4.1.2007).
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É impressão minha ou «forma diferente», na Newspeak de Menezes, é um sinónimo de «não faria nada»?
Alguém conhece serviços de urgência dos quais as pessoas não sintam falta? Onde?
Mais. É esse o critério que deve orientar uma política de Saúde escorreita?
publicado por Joana Alarcão às 11:18 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Quinta-feira, 03.01.08

Serviço pontual de dois meses válido por dois anos?


1. António Cunha Vaz garantiu ontem ao DN que não irá trabalhar a tempo inteiro para o PSD. «Na minha agência não tenho um número suficiente de pessoas para assegurar a assessoria a um cliente tão absorvente como seria o PSD.» A agência vai, no entanto, prestar um serviço pontual de «dois ou três meses» ao partido de Luís Filipe Menezes. Vai ajudá-lo a reestruturar o gabinete de comunicação social-democrata (DN, 19.11.2007).
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2. A consultora Cunha Vaz & Associados e a direcção do PSD deverão assinar hoje um contrato válido por dois anos, com início a 15 de Janeiro, disse à agência Lusa António Cunha Vaz (Lusa via RTP Online, 3.1.2008).
publicado por Joana Alarcão às 18:58 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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