Segunda-feira, 16.03.09

A propósito dos Portugueses lá fora (da série "Lições do INSEAD") 2

Com tanto talento Tuga "lá fora", de algumas décadas para cá que se pergunta incessantemente como podemos convencer estas pessoas a voltar, a bem do País. Recentemente, porém, o Presidente da República colocou a questão de outro modo, desafiando os Portugueses que estão no estrangeiro a contribuir para aquilo que realmente interessa ao nosso crescimento: abertura de canais de exportação e investimento em Portugal. É aí que está o potencial dos milhares de emigrantes qualificados, até mais do que um eventual regresso (também é bom, mas dá-me ideia que logo se acomodam a esta bandalheira). A tarefa é dantesca: no INSEAD perguntavam-me se nós produzíamos vinho e queijo "como em Espanha e França" ou, melhor, se havia indústria no nosso país. Portugal é bola e pouco mais.
Parece óbvio mas não é: onde quer que se encontrem, os Portugueses bem colocados podem e devem fazer lobby pelos nossos bons produtos e promover o investimento das empresas onde trabalham em Portugal, quando tal se justifique (também não precisamos de esmolas, já bastam os fundos da UE). Se dúvidas houvesse quanto à oportunidade, basta consultar a rede online The Star Tracker e ver o perfil dos nove mil portugueses inscritos que vivem e trabalham fora de Portugal.
Resta saber se devemos criar algum estímulo para os Tugas lá de fora se mexerem ou se o amor à Pátria é suficiente (também não sei o que poderá ser: um reconhecimento oficial? Uma condecoração?).

publicado por Francisco Van Zeller às 20:35 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

A propósito dos Portugueses lá fora (da série "Lições do INSEAD")

O tema é recorrente mas merece ser novamente abordado. O subscritor destas linhas teve o privilégio de passar um ano no INSEAD, uma escola europeia de gestão, com campus em França e Singapura. Todos os anos, de entre os 400 alunos oriundos de 60 países diferentes, estão lá sempre 10 ou 15 Tugas, um número proporcionalmente muito acima da nossa dimensão. E não é por acaso: os nossos compatriotas apresentam-se com uma preparação e desempenho excepcionais. Do seu background académico constam a engenharia do Técnico ou da FEUP e a gestão da Católica/Nova; profissionalmente estiveram em boas consultoras ou multinacionais no nosso país. Mas se tecnicamente se destacam, onde a categoria Tuga vem ao de cima é nas soft skills: a rapidez com que se adaptam a trabalhar com culturas diferentes e a sua resistência à pressão - sobretudo situações de última hora - são impressionantes (ui o que eu vi sofrer americanos, alemães, chineses etc.). Alguém me contou lá esta história: "A fábrica perfeita é totalmente constituída por operários alemães e um português dentro de uma caixa de vidro, onde se lê "quebrar em caso de emergência"".
Mas não foi só no ambiente do INSEAD que vi Portugueses a brilhar. Em Singapura, Macau e Austrália estive com vários profissionais da minha geração (25-35 anos), também eles muito reconhecidos pela sua preparação técnica e pela referida flexibilidade. O pior é quando se lhes pergunta quando é que voltam.
publicado por Francisco Van Zeller às 19:45 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Segunda-feira, 02.03.09

O verdadeiro destino dela (2)

A Lei "do Pluralismo e da Não Concentração dos Meios" (o título diz tudo) é a obra maior de Augusto Santos Silva. Dotado de uma finíssima capacidade de ironizar, não resistiu a mais uma e promoveu - até à exaustão - outra lei cuja aplicação teria o efeito contrário a que se destinou: a promoção da independência dos grupos de media nacionais. O homem, já se sabe, odeia a nossa comunicação social. Talvez por ser sociólogo (ajuda sempre) ou por ser de esquerda e de gostar de malhar na direita, procurou cumprir meticulosamente a sua agenda para os media com um ponto único: o seu enfraquecimento. É neste contexto que sai esta lei, o 5º canal, a introdução de quotas de música portuguesa na rádio, os poderes excessivos conferidos à ERC, o Estatuto do Jornalista.
Durante os últimos 8 anos, o mercado publicitário cresceu 0% a preços reais. ZERO. Ainda que os nossos "barões" dos media não se gramem (alguns nem se falam) será necessária uma nova vaga de consolidações para que Portugal tenha dois (três no máximo) grupos de media de dimensão "Ibérica". E se tornem definitivamente independentes. Mesmo assim será difícil ganhar escala relevante. Vejam só este número: o TOTAL das receitas dos media portugueses (TV, jornais, rádios, Internet etc.) é igual a 75% das receitas do UM canal espanhol de televisão.
Obviamente tudo isto é irrelevante para o nosso ministro da comunicação social.
publicado por Francisco Van Zeller às 20:51 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

O verdadeiro destino dela


Outra ordinarice.
publicado por Francisco Van Zeller às 19:44 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Quinta-feira, 26.02.09

Que proposta mais ordinária

Aqui há uns anos num daqueles verões do Algarve, eu e o meu primo Eduardo (aquele gajo do 31) encontrámos numa tasca ao pé da nossa casa uma máquina de jogar futebol, das que se punham moedas e dava para jogar a dois. Ambos estoirámos uma fortuna a jogar naquela porcaria, até o Eduardo descobrir um erro na máquina que lhe permitia meter golos impossíveis de defender. Ora num belo dia, o meu primo lembrou-se de convidar um amigo para jogar contra ele e logo nos primeiros segundos meteu um dos tais golos. Resposta imediata do amigo "pá, que golo mais ordinário".
Decorei para sempre esta expressão, e uso-a para ocasiões especiais. Por exemplo, para o que a Europa está a tentar fazer com a Alemanha - obrigá-la a emitir títulos de dívida pública em conjunto com os seus "parceiros" europeus: uma proposta verdadeiramente ordinária.
Nos últimos 20 anos vários países da zona euro embarcaram numa orgia consumista - sobretudo os PIGS mas não só - permitindo o endividamento alucinante das famílias, das empresas e do Estado. Enquanto isso, os alemães, com a consistência que os caracteriza, ficaram ainda mais competitivos no espaço euro, mantiveram grandes excedentes na balança de pagamentos com o exterior e a habitual disciplina das finanças públicas. E agora que rebentou a crise, obviamente que conseguem crédito a taxas de juro mais baixas que o resto da malta da zona euro. Moral da história: aqui e ali, vários iluminados propõem a emissão de "títulos de dívida pública europeia", o que em termos práticos significa encostarmo-nos à Alemanha, pagarmos menos pelas nossas javardices e obrigá-los a eles, que não se meteram em carnavais, a pagar mais.
Uma ideia brilhante, uma espécie de conto da cigarra e da formiga com o fim ao contrário e acima de tudo uma verdadeira ordinarice. Os alemães, que pagaram ziliões pela construção europeia e pela re-unificação, engoliram Maastricht e largaram o Marco, estão cheios de vontade de embarcar em mais esta "iniciativa de solidariedade europeia".
publicado por Francisco Van Zeller às 01:00 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Sexta-feira, 23.01.09

Os loucos anos 80 (81)



Há exactamente 25 anos foi lançado o Macintosh. O resto é história. Obrigado e aguenta-te Steve.
publicado por Francisco Van Zeller às 21:28 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 20.01.09

África do Sul 3: o Backpacker Intelectual

and now for something completely different: o subscritor destas linhas penitencia-se de não estar a escrever sobre o Obama.

Alguém me ofereceu o livro "África Acima" de Gonçalo Cadilhe - acho que a minha cunhada - onde o autor descreve a ambiciosa viagem Cidade do Cabo-Lisboa em crónicas publicadas no Expresso. Como eu ia estar em vários locais descritos no livro achei que era apropriado levá-lo.
Eis senão quando constato que o jovem Cadilhe, provavelmente afectado pelos ares e comidas daquele Continente, decide começar a afastar-se do tema do livro e fazer-se autêntico historiador/sociólogo: "Há muitos portugueses na África do Sul, e poucos que valha a pena conhecer. Poucos que não sejam racistas, arrivistas e iletrados" (pág.30) e "Segundo uma certa perspectiva histórica, foi um alívio para este país [Angola] ver-se livre dos portugueses - eram, na sua maioria, saqueadores tacanhos e iletrados, que sabiam apenas olhar para o próprio umbigo" (pág. 101). De uma assentada, o jovem Cadilhe insulta praticamente um milhão de portugueses com comentários pequenos, racistas - esses sim - e profundamente injustos. Um conjunto de generalizações extraordinárias de quem se considera tão viajado e cosmopolita.
Na África do Sul - para azar do jovem Cadilhe - os 300 mil portugueses têm reputação de empreendedores - quem não conhece o famoso Nando's? - e muitos são conhecidos profissionais liberais - médicos e advogados. A maior parte deles veio de Moçambique e de Angola depois de 75 porque a Metrópole era pequena demais para as suas ambições. Tiveram mais sucesso do que, por exemplo, os seus compatriotas de França ou do Canadá.
Quanto ao meio milhão de portugueses que viveu em Angola - inclusivamente o jovem Cadilhe e a sua família, o que torna ainda mais estranhos os seus comentários - rotulá-los de saqueadores e iletrados parece-me no mínimo, um pouco redutor: veja-se a rapidez com que se integraram e o enorme contributo que deram à sociedade portuguesa os "retornados".
Temo que quando estas crónicas foram publicadas no Expresso ninguém se tenha indignado, o que seria mais um sinal da nossa crise de valores.
publicado por Francisco Van Zeller às 23:22 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Segunda-feira, 19.01.09

África do Sul 2: Little Miss Sunshine versão pós-Apartheid

A carrinha que alugámos, para fazer o percurso Joanesburgo-Kruger, ficou sem embraiagem em plena auto-estrada e só pegava de empurrão, na 2ª ou 4ª mudança. De modo que, tal e qual como no filme, várias vezes tivémos que sair do carro e empurrá-lo até pegar. Do outro lado da estrada, centenas de sul-africanos regressados de férias observavam-nos atónitos. Às tantas estavam tão impressionados que decidimos perguntar ao Phathu, o amigo Sul-Africano (preto) a razão de tanta curiosidade. Resposta: "Dudes, everyone is looking because there are 5 white guys pushing a car driven by a black guy that is giving the orders".
publicado por Francisco Van Zeller às 13:09 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Sábado, 17.01.09

Postal da África do Sul

Caros amigos e leitores do Cachimbo,
Não há palavras nem tempo para descrever o que vi nestes últimos 15 dias. Com 10 países na bagagem de 2008, fui surpreendido pela vastidão e riqueza de um país que muitos acharam que "não ia resultar" (eu achava que não). Na África do Sul tudo se mede às centenas de quilómetros entre paisagens que vão mudando de uma agricultura de primeira, florestas "europeias" ou o famoso bush (mato) que abunda no parque Kruger.
E, depois, claro, a Cidade do Cabo. Uma espécie de Rio de Janeiro civilizado, limpo e rico. Uma cidade rodeada de montanhas, encostas e praias, que deram origem a subúrbios fabulosos, para já quase só reservados aos brancos.
Se estes últimos 20 anos foram decisivos para a África do Sul, os próximos sê-lo-ão igualmente: dos 48 milhões de habitantes, e retirando os 4 milhões de brancos, emergiu uma classe média de 10 milhões de pretos desde o fim do Apartheid - o maior trunfo para assegurar o futuro do país - mas a verdade é que muitos continuam "de fora". E a pressão do ANC para os "incluir" é cada vez maior: Zuma, o polémico candidato presidencial, lançou o seu manifesto eleitoral há dias e exige mais emprego para a população negra - leia-se mais quotas nas empresas Sul-Africanas. Com uma taxa de desemprego entre os 25% e os 40% este é obviamente o pior problema, a que se juntam o crime nas cidades (que não vi) e a Sida. Mas o Sul-Africanos estão optimistas: vem aí o mundial 2010 e o país mobiliza-se para mudar: há fortes investimentos em infra-estruturas - sim, também em estádios - e em "equipamento social" - para usar a terminologia politicamente correcta. Façamos figas para que tudo corra bem, porque a África do Sul deve ser o exemplo e não a excepção naquele continente.
publicado por Francisco Van Zeller às 19:46 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Sexta-feira, 27.07.07

Estatuto do Jornalista: o que está em causa (III)

3. Direitos de Autor. O tema é fácil de explicar: O Sindicato dos Jornalistas, e em especial o seu presidente, o temível Alfredo Maia (na foto), tem lutado incansavelmente para que os jornalistas recebam, para além do seu salário, direitos de autor, quando as suas peças são usadas noutros suportes que não aqueles para os quais foram contratados. Por exemplo, um jornalista escreve no jornal DN. Se a peça for para o site do DN têm que ser pagos direitos de autor. Se passar na TSF idem.
Esta posição é totalmente contrária à estratégia multiplataforma (papel, online, televisão, mobile TV etc.) dos grupos de media. A tendência é naturalmente aproveitar os conteúdos produzidos no grupo e fazer uma gestão inteligente dos mesmos que permita rentabilizar ao máximo a operação. Os grupos em Portugal sofrem com a escassez do mercado publicitário e precisam de procurar alternativas, nomeadamente outras plataformas (a maior parte delas ainda não rentáveis).
Há quem diga que esta é uma luta de vida ou morte para o Presidente do Sindicato: com os níveis de sindicalização a diminuirem para valores irrelevantes, a gestão de direitos poderia ser uma forma de voltar a ganhar protagonismo entre os jornalistas, especialmente os mais jovens, que não se identificam com o discurso - nem com o estilo - deste sindicato.
Apesar de considerar totalmente ultrapassada a posição do Presidente Maia, achei interessante um dos argumentos por ele utilizado: quanto mais longe for esta estratégia de rentabilização dos grupos menos jornalistas existirão; menos jornalistas significa menos pluralismo e diversidade de opiniões, tornando um dos pilares da democracia - o da liberdade de informar - mais frágil.
publicado por Francisco Van Zeller às 00:56 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Quinta-feira, 26.07.07

Estatuto do Jornalista: o que está em causa (II)

2. Sanções para os jornalistas: aqui o tema pia mais fino. O novo Estatuto contempla um conjunto de normas, baseados no já existente código deontológico dos jornalistas (que não tem sanções previstas). São atribuídos poderes à "Comissão da Carteira" (constituída por jornalistas) para fiscalizar a profissão. No limite, um jornalista pode ser suspenso (pensou-se em multas, imaginem o que seria).
Gritaria. Choro e ranger de dentes. Crónicas incendiárias do José Manuel Fernandes (considerado o inimigo número 1 do Estatuto). Os jornalistas argumentam que a sua profissão já é suficientemente escrutinada e limitada: pela opinião pública, pelos provedores de leitores, pelo Conselho Deontológico do Sindicato, pela Entidade Reguladora da CS, pelos estatutos editoriais e códigos de cada órgão de comunicação social e, claro, pelos tribunais.
O problema é que nem os tribunais funcionam (ou demoram 10 anos a decidir), nem os códigos são muito respeitados. O histórico de 30 anos em "liberdade" é profícuo na destruição de bom nome de pessoas, empresas, ministros, governos etc.
Evitando uma vez mais cair na tentação reaccionária de considerar todos os jornalistas uns irresponsáveis e delinquentes, não deixa de ser necessário "incentivar" a classe a ter mais respeito por alguns direitos e liberdades dos cidadãos.
Pessoalmente sou defensor da auto-regulação (definição de regras sem a intervenção do Estado) mas até agora esta modalidade tem-se revelado ineficaz e, de facto, enquanto a performance dos tribunais não melhorar é necessário algo mais.

publicado por Francisco Van Zeller às 17:19 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Estatuto do Jornalista: o que está em causa

Anda para aí uma suposta celeuma que envolve jornalistas e empresas de media por causa do novo "Estatuto do Jornalista" (já aprovado em AR, aguardando promulgação do Presidente). Não sendo este o melhor tema para quem está ou vai de férias, pode ser interessante deixar uma perspectiva sobre o que está em causa.
Antes de mais, o "Estatuto do Jornalista" é a Lei que regulamenta a actividade dos jornalistas. Esta versão é de 99 e, como é habitual entre nós, assim que entrou em vigor logo surgiram vozes a exigir a sua revisão. Pelo medo que a matéria causa aos políticos, ministros e deputados arrastam o processo o mais que podem há anos. Até 2005.
O actual Governo propôs alterações profundas no Estatuto, e depois de muita discussão entre os interesses envolvidos, chegámos a três pontos críticos que apresentarei ao longo do dia (em 3 posts).
1. Sigilo Profissional: um dos pilares do jornalismo são as suas fontes e o direito (e obrigação) dos jornalistas as protegerem e assegurarem o seu anonimato, se for necessário. A proposta que foi aprovada propõe clarificar as excepções em que se pode quebrar o sigilo profissional: existência de informações para investigação de crimes graves contra pessoas ou segurança do Estado, caso não se consiga obter as mesmas de outra forma.
Este ponto é talvez aquele que apresente maior unanimidade entre jornalistas e o Sindicato dos Jornalistas (que são hoje em dia coisas diferentes). Ambos têm bradado aos céus, referindo os riscos de condicionar para sempre a sua actividade (sobretudo o "jornalismo de investigação").
De facto, muita gente entusiasma-se com a visão de uma qualquer autoridade a apertar o gasganete a um jornalista portador de um dado considerado relevante (desembucha estafermo!). É a tentação do caminho mais curto. É preciso, porém, vislumbrar as consequências no longo prazo: basta isto acontecer em um ou dois casos mediáticos para que no futuro as pessoas tenham receio de falar com jornalistas, sobre os mais variados assuntos. E quantos "casos" relevantes, em Portugal e no mundo, não vieram à baila a partir do trabalho de investigação baseado em fontes anónimas?
Nota: credibilidade das fontes e elaboração de notícias a partir das mesmas tem a ver com qualidade do jornalismo, o que é outra conversa.
(continua)
publicado por Francisco Van Zeller às 09:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Terça-feira, 17.07.07

Os Loucos Anos 80 (18)

No mesmo ano que o Live Aid de Bob Geldof, Lionel Richie e Michael Jackson juntaram os americanos da moda e compuseram o single "We Are The World". O objectivo deste grupo simpático - auto intitulado "USA For Africa" - foi tentar minimizar a desgraça na Etiópia, onde milhões passavam fome. Foi comovente: todos comprámos o disco, que se manteve teimosamente nos Tops durante meses. Os resultados é que não deslumbraram: nos vinte anos que seguiram a guerra, a fome, as deslocações em massa, a corrupção, os regimes cleptocratas, enfim a miséria, mantiveram-se naquele continente. Excepções recentes para África do Sul, Angola, Moçambique e pouco mais.

Política à parte, jamais esqueceremos a luvinha de brilhantes do Michael Jackson, os gritos da Cindy Lauper e o final de Ray.


publicado por Francisco Van Zeller às 20:20 | comentar | ver comentários (9) | partilhar
Domingo, 15.07.07

Crash Dam'it! A versão Lisboa


O homem está a reflectir.
Para ver a versão nacional, clicar aqui.
publicado por Francisco Van Zeller às 21:09 | comentar | ver comentários (16) | partilhar
Terça-feira, 10.07.07

Publicidade Institucional

Hoje, pelas 18H30, é lançada a obra "António de Oliveira Salazar - O Outro Retrato", da autoria de Jaime Nogueira Pinto. A apresentação será feita por Marcello Mathias na Biblioteca João Paulo II da Universidade Católica Portuguesa.
Para tentar, como referiu o autor há minutos na TV, "meter" Salazar na História.
Lá estarei.
publicado por Francisco Van Zeller às 00:34 | comentar | ver comentários (10) | partilhar
Terça-feira, 03.07.07

Loucos Anos 80 (5)

Manic Miner.
Jogado num computador 15 mil vezes menos potente que um PC actual.
Incluía gravador, com chave de parafusos para afinar o som e evitar a mensagem: "R tape loading error".
publicado por Francisco Van Zeller às 13:21 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Loucos Anos 80 (4)


"Frio? Eu não tenho frio. Eu tenho uma Termotebe e o meu pai também!"
publicado por Francisco Van Zeller às 12:39 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Terça-feira, 26.06.07

Lisboa no Cachimbo I

O Pedro do Cachimbo e o Henrique do 31 discordam de forma militante do facto de António Costa ser o melhor candidato para Lisboa.
O Pedro está preocupado com o programa de Costa (que diria dos outros programas...). Há muito que os programas eleitorais - e respectivas campanhas - têm pouca ou nenhuma ligação à realidade. O exemplo destas eleições em Lisboa é paradigmático: nada rende menos votos do que discorrer sobre a maçadoria do saneamento das contas (que significa menos investimento e mais receitas a serem pagas por alguém), a reorganização da máquina administrativa, a política de habitação (inexistente, enquanto não for alterada a lei das rendas) ou dos transportes (dizer aos lisboetas para usarem menos o carro é perder eleições). Por isso os candidatos - sim, incluindo o Costa - tentam entreter os media com coisas ao lado tipo os casamentos gay, ciclovias, os estafados "pulmões verdes" e "espaços ribeirinhos" etc. É um mau sistema, mas é a verdade. Daí eu não me focar no programa de Costa (que nem conheço bem), mas sim na sua pessoa, no seu "peso" político, e - pois é - na sua inevitável ligação ao Governo que é essencial nestas eleições para resolver os problemas que tenho referido. Pedro já experimentaste imaginar uma coligação em que um dos candidatos não seja o Costa? As combinações são do caraças: Negrão-Carmona; Negrão-Roseta; Carmona-Roseta; Negrão-Zé Faz Falta; Carmona-Zé Faz Falta etc. É um exercício esclarecedor.
Eu estou de acordo contigo: há muitas matérias que poderiam abordadas. Mas também escusas de exagerar: O Parque Mayer é um esconso decadente inventado pelo Santana Lopes. E as colectividades devem ficar no seu lugar e ganhar a sua autonomia em vez de chularem subsídios e fazerem política (deverás saber que a federação das colectividades está totalmente nas mãos do PC).
Ah, é verdade, e esqueceste-te de dizer qual é afinal o melhor candidato.

P.S. Henrique, lá chegarei ao teu post.
publicado por Francisco Van Zeller às 00:42 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quinta-feira, 21.06.07

O Melhor Candidato

Agora que já nos vacinámos contra o candidato independente-dos-partidos-maus-muita-puro-tão-puro-que-até-anda-de-mota (que nos sirva de emenda porra), é tempo de olhar em frente e decidir o melhor para a capital.
Precisamos de um político hardcore. Com lastro e peso próprio. Os temas mais urgentes da próxima governação decidem-se politicamente, ao contrário do que muitos pensam. Basta de tecnocratas: reestruturar e renegociar o passivo é um problema político; acabar com a bandalheira dos gabinetes e dos departamentos da câmara é uma questão política; idem para os transportes (autoridade metropolitana) e habitação (Epul, Gebalis).
Precisamos de um presidente que tenha boas relações com o Governo, por onde passarão inevitavelmente todas estas questões (ou acham que não?) e, já agora, também o dossier Aeroporto.
Precisamos de um Presidente que, tendo que governar em coligação, seja o líder incontestado da mesma.
Precisamos de um Presidente que tenha a pressão de governar bem, para no futuro poder dar saltos maiores.
Dos 13(?) candidatos, António Costa cumpre razoavelmente bem estes critérios.
Rasgai as vestes e apedrejai-me irmãos da direita, mas sabeis bem que tenho razão.
Desperdiçámos duas boas oportunidades (2002 e 2006) de fazer boa figura em Lisboa. O resultado foi mau: A câmara está falida e desorganizada. No fundo, a mesma merda que aconteceu com o Governo. E agora os candidatos do PSD e do PP, para além de terem muito pouca legitimidade, são fracos. Se vos causa alergia votar na esquerda (como a mim) podem sempre ficar em casa.
publicado por Francisco Van Zeller às 19:35 | comentar | ver comentários (19) | partilhar
Segunda-feira, 18.06.07

Os deuses devem estar loucos (a propósito do tempo)

Estou a pensar em pedir ao Antímio de Azevedo para ser colaborador do Cachimbo. Acho que era bom para as audiências.
publicado por Francisco Van Zeller às 11:52 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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