Quarta-feira, 14.03.12

Extremismos

 

O Figaro apresenta uma análise comparativa do posicionamento político dos candidatos à Presidência da República Francesa. Não deixa de ser curioso, embora expectável, que as posições de François Hollande coincidam mais com as dos candidatos da extrema-esquerda do que as posições de Nicolas Sarkozy. Igualmente curioso, mas muito menos expectável quando se considera as grandes linhas da cobertura mediática que por cá se vai fazendo da campanha em França, é o facto de as posições de François Hollande serem mais vezes coincidentes com as da candidata da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, do que são as posições de Sarkozy.

publicado por Nuno Lobo às 19:12 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 13.03.12

Parole de candidat avec Nicolas Sarkozy

TF1, 12 Março 2012 

 

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Segunda-feira, 12.03.12

La civilization européenne forte et responsable

Discurso de Sarkozy, Villepinte, 11 Março 2012

Sobre a Europa e o Espaço Schengen, 34:52-42:45

 

 

 

Discurso de Sarkozy, Saint-Just-Saint-Rambert, 8 Março 2012 

Sobre a imigração, 28:15-37:56

 

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Sexta-feira, 23.12.11

Peça de Natal

publicado por Nuno Lobo às 15:58 | partilhar
Segunda-feira, 19.12.11

"Você é qualificado? Então pense"

 

 

Carlos, não sei se leste a passagem da entrevista do Correio da Manhã ao Primeiro Ministro, mas desconfio que não, até porque optaste pela notícia em segunda mão do PÚBLICO. Eis o que disse o Primeiro Ministro:

 

"Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação. E o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Estamos com uma demografia decrescente, como todos sabem, e, portanto, nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa."

 

Primeiro: "Há muitos professores em Portugal que não têm, nesta altura, ocupação."

 

Segundo: "Estamos com uma demografia decrescente."

 

Ou seja, o problema já existe e será ainda mais grave no futuro. Assim, os professores que estão já hoje sem ocupação e sem perspectivas de a vir a ter no futuro, só têm duas alternativas:

 

Terceiro: "Ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo manter-se sobretudo como professor, pode olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa."

 

Pelo meu lado, acho até que não cabe ao Primeiro Ministro fazer este tipo de declarações, uma vez que a qualificação dos professores pressupõe que eles tenham dois dedos de testa e capacidade para gerir a sua vida de acordo com as circunstâncias.

 

Mas, a julgar pelo teu post, Carlos, por mais qualificados que os professores digam que são, sou levado a concluir que precisam mesmo de um paizinho para os orientar nesta coisa de viver a vida tal como ela se nos apresenta.

publicado por Nuno Lobo às 18:46 | comentar | ver comentários (15) | partilhar
Sexta-feira, 16.12.11

Pobre esquerda...

 

Hoje acordei a ouvir a Antena 1 dizer que o Vasco Pulido Valente tinha escrito cobras e lagartos de Merkel e Sarkozy. E o homem que até andava a escrever muito bem ultimamente…, lamentava-me eu a caminho do banho. O tipo, com a mania de querer parecer absolutamente não ideológico, concluía eu enquanto esfregava as costas, abusa desta coisa de bater em tudo e todos. Mas lá esqueci o assunto enquanto me preparava para sair de casa. Ao ver o autocarro chegar à paragem, cheia de gente a sair e entrar, ainda arrisquei pedir o jornal no quiosque, mas consegui entrar a tempo. Começo por ler a notícia sobre o apelo de Portas ao diálogo com os socialistas para inscrever o défice na Constituição. Okay. Continuo com a notícia maravilhosa sobre o dirigente socialista (Pedro Nuno Santos) que, pura e simplesmente, acha que as dívidas não são para ser pagas. Ele não deve gostar dos alemães, suspeitei enquanto não conseguia parar de rir, nunca deve ter topado com os imperativos da filosofia moral de Kant. Salto por cima de todas as outras páginas e passo directamente para a última. Lá estava a crónica do Vasco Pulido Valente, ilustrada com uma foto de Merkel (de olhar terno) e Sarkozy (de sorriso amarelo). "O pensamento da esquerda sobre a crise da dívida," começo a ler, "deixou de ser inteligível." Deixou de ser? Mas chegou a ser? Chego à parte em que o Vasco Pulido Valente diz que "idioticamente já se insinua que a Merkel se parece com Hitler". Ele está a pensar na crónica do Rui Tavares de anteontem, concluí eu. Segundo o Rui Tavares, no discurso de proclamação de guerra aos EUA em Dezembro de 1941, Hitler atacou o keynesianismo e expansionismo económico de Roosevelt. O Rui Tavares é tonto, só pode. Quem se der ao trabalho de ler o discurso de Hitler, verificará que não há ali qualquer crítica anti-keynesiana e anti-expansionista. A única expansão americana que Hitler critica é a militar, e de Roosevelt diz ter sido sempre um menino rico enquanto estudante e agora apostado na especulação financeira enquanto governante. De facto, ao contrário do que Rui Tavares quer fazer crer a quem erradamente ainda o lê de boa fé, a haver alguns vestígios de Hitler no discurso dos dias que correm, eles encontram-se nas barbaridades anti-Wall Street berradas pelos indignados (os alegados 99%) – tanto na crítica explícita aos especuladores financeiros, como no tom absolutamente vulgar e pseudo-científico dos argumentos tentados. Mas de volta à crónica do Vasco Pulido Valente. Ainda eu não tinha chegado a meio da leitura e já era evidente que a Antena 1 não primou pela inteligência e verdade. Em momento algum da crónica Vasco Pulido Valente diz cobras e lagartos de Merkel e Sarkozy. Muito pelo contrário, toda ela é uma crítica ao que a esquerda tem dito sobre Merkel e Sarkozy. Pobre Antena 1, pobre Rui Tavares, pobre Pedro Nuno Santos, pobre Hitler, pobres 99% de indignados, pobre esquerda...

publicado por Nuno Lobo às 11:42 | comentar | ver comentários (5) | partilhar
Sábado, 12.11.11

Atraso de vida

As pessoas que ao final da tarde de ontem se transportavam de carro ou de autocarro entre a Rua de São Bento e a D. Carlos I foram obrigadas a mudar de rumo pela polícia. Quem descia a Rua de São Bento era obrigado a virar à esquerda em direcção à Praça das Flores e quem subia a D. Carlos I era obrigado a seguir em frente em direcção à Calçada da Estrela. Isto por causa de uma manifestação que juntava algumas dezenas de pessoas em frente da escadaria da Assembleia da República. Não sei quantas mil pessoas viram a sua vida atrasada por causa de algumas dezenas que se manifestavam. Só o autocarro onde eu vinha transportava mais passageiros do que manifestantes na rua. Uma completa anormalidade.

publicado por Nuno Lobo às 12:54 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Sexta-feira, 21.10.11

Ranking das escolas, ou O que realmente importa quando se trata de escolher a escola?

O Alexandre tem escrito no Cachimbo alguns posts sobre a necessidade de haver uma ponderação socioeconómica dos alunos quando se elabora o ranking das escolas. O argumento do Alexandre faz todo o sentido se partirmos do princípio – quanto a mim, razoável – de que a condição socioeconómica das famílias tem influência no desempenho dos alunos. De um modo geral, os alunos oriundos de famílias mais educadas e apostadas na educação dos filhos têm maior probabilidade de serem melhores do que os alunos oriundos de famílias menos educadas e porventura menos apostadas na educação dos filhos; o mesmo é dizer que nem só da contribuição da escola e dos seus professores vive o bom aluno. Daí que o Alexandre diga – quanto a mim, com uma aparência de razão – que as melhores escolas não são necessariamente aquelas que apresentam bons resultados escolares por parte dos alunos, mas aquelas que apresentam bons resultados escolares (também) em função da condição socioeconómica das famílias dos alunos.

 

De um modo muito simples: penso que faz todo o sentido dizer-se que a escola A e a escola B, que apresentam exactamente os mesmos resultados por parte dos seus alunos, não são igualmente boas, quando a escola A é frequentada por alunos oriundos de famílias socioeconomicamente privilegiadas e a escola B é frequentada por alunos oriundos de famílias socioeconomicamente desfavorecidas. Sendo os resultados dos alunos iguais, então é porque a escola B contribui mais para o sucesso dos seus alunos do que a escola A. Em suma: o ranking, tal como é actualmente elaborado, não identifica as escolas que mais contribuem para o sucesso escolar dos seus alunos, mas identifica antes as escolas que têm os alunos com melhores resultados escolares.


Mas a história não acaba aqui. A haver uma ponderação socioeconómica na elaboração do ranking das escolas, a escola B (alunos socioeconomicamente desfavorecidos) estaria classificada acima da escola A (alunos socioeconomicamente privilegiados). Face a esta classificação, em que escola quereria eu matricular os meus filhos? Se assumirmos que eu sou uma pessoa socioeconomicamente favorecida, quererei os meus filhos na escola B, sabendo que é aquela que contribui mais para o sucesso dos alunos? A resposta imediata seria dizer “sim”. Mas não estou assim tão certo de ser a melhor opção, pois não seria assim tão improvável que a “vantagem” socioeconómica dos meus filhos não acabasse por ser diluída na “desvantagem” dos restantes. Do mesmo modo, sendo eu uma pessoa socioeconomicamente desfavorecida, não tenho a certeza de que a “desvantagem” socioeconómica dos meus filhos não fosse compensada pela “vantagem” dos restantes alunos, caso a minha opção fosse pela escola A.


Há um aspecto no argumento dos críticos da ponderação que faz todo o sentido: independentemente de atribuirmos a causa do sucesso escolar à contribuição da escola e professores ou à condição socioeconómica dos seus alunos, quer eu seja uma pessoa socioeconomicamente favorecida, quer eu seja uma pessoa socioeconomicamente desfavorecida, quererei sempre matricular os meus filhos na escola que actualmente apresenta os melhores resultados escolares e está no topo da classificação do ranking – tal como ele é elaborado actualmente, sem ponderação. Ou não é assim?

 

De facto, a qualidade de uma escola é feita destes dois aspectos fundamentais: a capacidade da escola e dos professores acrescentarem valor ao desempenho dos alunos e a condição socioeconómica das famílias. A melhor escola será naturalmente aquela que acumula estes dois elementos. O ranking elaborado por via de uma ponderação socioeconómica, tal como o Alexandre sugere que ele deve ser, está apenas a atender ao primeiro dos dois elementos, negligenciando o segundo.

 

(Fica o desafio, Alex.)

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Terça-feira, 18.10.11

Sangue do meu sangue

 

Amplamente divulgado no Ípsilon. Visto por quase dez mil espectadores desde a estreia. Objecto de todo o género de elogios e mais algum. Sangue do meu sangue está longe de ser tudo aquilo que dele se diz. E é provavelmente mais alguma coisa do que já foi dito. O retrato da família do Bairro Padre Cruz é realista e convence. A improvável tragédia queirosiana dá um sentido ao filme que de outro modo seria menos grave e definitivo. A brutalidade masculina extrema, psicológica e física, é capaz de despertar ódio dentro de nós. Tudo isto já não é pouco. Mas vamos com calma. Personagens a sério há duas apenas: Márcia (Rita Blanco) e Ivete (Anabela Moreira). Dos restantes, sabemos que têm um papel importante no filme, mas dificilmente tocamos a sua alma: Cláudia (Cleia Almeida) estuda enfermagem; Joca (Rafael Morais) dá na coca e por ela aldraba; Alberto (Marcello Urgeghe) é médico; Telmo (Nuno Lopes) é traficante e mau como as cobras. Mas não chega. Não chega os actores serem bons e bem dirigidos para que as personagens sejam boas. Já a realização de João Canijo oscila entre o interessante e o demasiado. A simultaneidade de cenas é feliz, obrigando o espectador a tentar seguir atentamente, mas nem sempre com sucesso, dois diálogos ao mesmo tempo. Ficamos com a sensação de que tudo o que se passa e é dito é importante e de que nada nos deve escapar. Mas já muitos dos imensos planos artísticos, enquadramentos especiais, cabeças entrecortadas, e outros que tais seriam facilmente dispensados. Tal como dispensável é a deixa moralista das duas senhoras lésbicas, que no plano superior se beijam na rua, enquanto no café em baixo é travado o diálogo mais importante do filme. Política travestida de arte. Depois há o amor. O melhor do filme. O amor da mãe Márcia pela filha Cláudia. O amor da tia Ivete pelo sobrinho Joca. Eis porque muitos lêem o título Sangue do meu sangue como um resumo do amor incondicional. Mas Sangue do meu sangue pode ser lido de outro modo, já não o amor virtuoso de que ainda valorizamos, mas antes o amor vicioso de que quase já não nos apercebemos. E é o amor vicioso que constitui o centro da história a partir do qual tudo o resto adquire sentido. Mas sobre isto nada foi dito no muito que se disse.

 

Sangue do meu sangue, realizado por João Canijo, com Rita Blanco, Anabela Moreira, Cleia Almeida e Nuno Lopes (Portugal 2011)

publicado por Nuno Lobo às 13:49 | comentar | partilhar
Quarta-feira, 28.09.11

Homícidio premeditado comunitário

Gostei de ler a crónica do Rui Tavares no PÚBLICO de hoje sobre a pena de morte e o significado comunitário do ritual associado ao seu cumprimento. Numa frase: nas comunidades políticas onde a pena de morte é praticada, todas as pessoas que a ela pertencem participam da sua autoria. Enquanto lia tão interessante exercício sobre a pena de morte, ia-me perguntando em que medida o Rui Tavares não poderia escrever exactamente o mesmo sobre o aborto. É que no aborto está tudo o que o Rui Tavares descreve na pena de morte: a hora marcada; o lugar combinado; o equipamento necessário; o funcionário público pago para o fazer; a forma escolhida; a aquisição e armazenagem de produtos; um departamento inteiro organizado para que tudo corra na perfeição. Quando acabei de ler o texto, voltei ao início. E é então que me detenho, logo no primeiro parágrafo, na solução mágica: "ser consciente". O Rui Tavares tem o cuidado de perguntar Pode um 'ser consciente' ter hora marcada para ser morto? Claro que não pode. Já um ser apenas, um ser inconsciente, um ser que é praticamente nada (não obstante estar a caminho de vir a ser tudo), pode. A inconsciência é tramada. 

 

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Sexta-feira, 23.09.11

A decadência do Ocidente

  
 
Na esteira de Medina Carreira, que anunciou na TVI a decadência económica do Ocidente, Vasco Pulido Valente acrescentou no PÚBLICO de hoje que a decadência é também política. Contudo, como aliás o próprio faz questão de lembrar, a história dos anúncios da decadência do Ocidente não é nova. Com pelo menos um século de existência, a decadência do Ocidente foi originalmente descrita como o resultado do esquecimento do espírito.
 
Vasco Pulido Valente e Medina Carreira poderão até estar certos, mas nunca inteiramente. Já não é somente a decadência do Ocidente que hoje vemos quando olhamos para a economia e a política, mas antes a decadência da própria decadência do Ocidente. Se  Medina Carreira e Vasco Pulido Valente estão porventura na expectativa de que o Ocidente possa voltar a ascender pela economia e pela política, bem que podem puxar por uma cadeira e sentar-se. E não é para assistir ao drama do Ocidente como eminentes espectadores com a crítica na ponta da língua; é mesmo para representar, também eles, junto de tantos outros, o papel de actores principais.
publicado por Nuno Lobo às 12:19 | comentar | ver comentários (17) | partilhar
Sexta-feira, 02.09.11

Tom & the Saints

 

edward sharpe & the magnetic zeros simplest love 2009

publicado por Nuno Lobo às 11:34 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Quarta-feira, 31.08.11

“La fiesta y la cruzada” (JMJ)

 

 

 

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Quinta-feira, 18.08.11

Eutanásia, diz o BE

O tipo (ou tipa), que se dedica a apontar setinhas para baixo ou para cima na última página do PÚBLICO, decidiu hoje celebrar o projecto de lei do BE sobre a eutanásia, com o pretexto de que "a Assembleia da República vai discutir um dos temas mais controversos da actualidade". Que não haja, dentre os deputados eleitos, um único com conhecimento superior sobre o assunto, é apenas um pormenor; que os portugueses nem sequer conheçam os limites dos diversos conceitos ligados à eutanásia, é outro pormenor; que num assunto menos delicado, como é o caso do chamado testamento vital, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida não tenha tido sequer tempo para medir todas as consequências éticas dos projectos de lei apresentados para análise, é mais um pormenor; que em Portugal nada se conheça sobre os efeitos e implicações nos cuidados médicos prestados em países ou estados dos EUA onde alguma forma de eutanásia foi legalizada, é apenas um último pormenor a desconsiderar. Importante mesmo é que a Assembleia da República discuta e supostamente decida e legisle sobre um tema controverso. Vai ser bonito. 

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Terça-feira, 05.07.11

Tom & the Saints

 

lhasa de sela rising 2009

publicado por Nuno Lobo às 17:47 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 28.06.11

Cheque escolar: os factos e as suspeitas

Um dos problemas em Portugal, no que respeita à discussão das políticas públicas de educação, é o de muito se falar mas raramente se atender a dados empíricos que consubstanciem o que se diz. Compreende-se por que assim acontece. Na verdade, em Portugal não existem estudos rigorosos sobre as politicas públicas de educação, ora porque as universidades são o que são, ora porque até os dados estatísticos de educação continuam reservados a uns poucos que se movimentam dentro do Ministério da Educação. Não admira, portanto, que o post de Ana Cássio Rebelo (ou Ana de Amsterdam) - que aqui no Cachimbo tem sido referido pelo Carlos Botelho (aqui e aqui), Miguel Noronha (aqui e aqui), Paulo Pinto Mascarenhas (aqui) e Alexandre Homem Cristo (aqui) - se situe sob o horizonte da suspeita e não dos factos. Pessoalmente, eu até considero que o argumento da Ana Cássio merece alguma atenção – o mesmo não é dizer que concordo com os detalhes de tudo o que ela diz. Mas antes de se mergulhar na suspeita, importa atender aos factos.

 

O cheque escolar, de uma forma ou de outra, foi implementado em países como a Suécia, Holanda, República Checa, Chile, Colômbia e EUA. No caso dos EUA, aquele que eu conheço melhor, o regime de liberdade de educação tem passado apenas residualmente pelos programas de cheque escolar em algumas cidades americanas de grande dimensão (e muito mais pelas charter schools, mais ou menos o equivalente às nossas escolas com contrato de associação). Os estudos sobre o cheque escolar são conclusivos quanto ao facto de o cheque escolar melhorar os resultados escolares dos alunos que transitam das escola públicas tradicionais para as escolas privadas; contribuir para um progresso mais rápido na aprendizagem; aumentar a eficiência nos custos; e aumentar a satisfação dos pais relativamente à aprendizagem dos filhos. Ainda no caso dos EUA, talvez devido ao facto de as crianças afro-americanas constituírem a grande maioria dos alunos que participam nos programas, o cheque escolar tem permitido aos alunos de bairros segregados furar as fronteiras das escolas públicas e frequentar escolas de escolha menos segregadas, deste modo contribuindo para a diminuição da segregação racial, ao mesmo tempo que é neste grupo racial afro-americano que os benefícios académicos do cheque escolar são mais evidentes. Por outro lado, nenhum estudo encontrou um efeito negativo do cheque escolar no desempenho académico dos alunos. Estes dados são mais do que suficientes para se concluir que o cheque escolar é um excelente instrumento para a melhoria da educação das crianças, principalmente daquelas que, de outro modo, estariam condenadas a frequentar as piores escolas públicas. Por outras palavras, os factos indicam que o cheque escolar é um bem.

 

Em que medida a possível universalização do cheque escolar terá exactamente os mesmo efeitos, é uma outra questão. E é aqui que entramos no domínio da suspeita e nos afastamos dos factos. Naturalmente, as crianças que frequentam más escolas tenderão sempre a melhorar quando passam a frequentar escolas melhores. No mesmo sentido, é possível - eu arriscaria dizer que é provável até - que a eventual universalização do cheque escolar, e consequente aumento do número de alunos desfavorecidos nas boas escolas, levasse a uma redução na média dos resultados académicos dos alunos dessas escolas. Também é possível - como sugere a Ana Cássio Rebelo, embora eu já não seja tão rápido a assumir a sua probabilidade - que as famílias de maiores recursos económicos decidam, então, transferir os filhos dessas boas escolas, agora em eventual declínio, para escolas privadas onde não haja o cheque escolar. É neste sentido que eu tendo a pensar que o argumento apresentado por Ana Cássio merece alguma atenção. A suspeita não é de todo desprovida de sentido.

 

Seja como for, dado que a concorrência promove frequentemente o que há de melhor nas pessoas e nas organizações, proporcionando medidas de referência, a partir das quais se pode avaliar o desempenho das escolas, eu penso que o cheque escolar, entre outros instrumentos possíveis para a ampliação da escolha da escola por parte das famílias e dos alunos, poderá a médio e longo prazo (além dos benefícios imediatos que traz aos alunos mais desfavorecidos) contribuir para o aumento do desempenho académico de todos os alunos e melhoria generalizada da educação em Portugal. Por outras palavras, o cheque escolar tem bons resultados imediatos e promete bons resultados futuros. 

 

Isto não significa que não haja sempre escolas melhores e escolas piores, escolas de elite e escolas para todos, e, dentre as escolas para todos, escolas situadas nos melhores bairros e escolas situadas em bairros piores. Mas este é um facto da vida social que não tem solução a não ser que optemos por viver sob um regime menos livre e tendencialmente totalitário. A minha aposta é na liberdade.

publicado por Nuno Lobo às 16:08 | comentar | ver comentários (4) | partilhar
Sábado, 25.06.11

De como a esquerda, ...

... pouco ou nada tendo a contribuir para o bom governo dos homens, continua a ser imbatível quando se trata de montar uma palhaçada bem esgalhada - duas "generalizações", uma mais verdadeira do que a outra; descubra você mesmo qual é o quê.

.
(Via Jugular)
publicado por Nuno Lobo às 15:00 | comentar | partilhar
Quinta-feira, 23.06.11

EUA, imigração, e outras coisas naquele que é provavelmente o mais fantástico país do mundo

Uma bela história de vida - a um mesmo tempo feliz e dramática - de Jose Antonio Vargas, imigrante e ex-jornalista do Washington Post, que chegou a ganhar um Prémio Pulitzer. O artigo demora ainda alguns minutos a ler mas vale bastante a pena: "Yet even though I think of myself as an American and consider America my country, my country doesn’t think of me as one of its own."

 

(Via Jugular)

publicado por Nuno Lobo às 19:30 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Tom & the Saints

 

the black keys the only one 2010

publicado por Nuno Lobo às 18:00 | comentar | partilhar

Populismo na governação ou no comentário?

Fernando, este teu post faz pouco sentido: em primeiro lugar, porque não analisas a opção nos seus próprios termos (se "objectivamente" ela tem ou não tem razão de ser); em segundo lugar, porque ao preferires ajuizar a opção sob a perspectiva crítica do mero "golpe de asa", arriscas concluir que o golpe de asa terá consequências contrárias às que alegadamente seriam desejadas à partida. Em suma, não apenas ficamos sem saber o que pensas da opção enquanto tal (uma lacuna no teu comentário), como ficamos sem saber se a opção será errada por se tratar de um mero golpe de asa ou por se tratar ainda de um golpe de asa com consequências não intencionadas (uma ambiguidade nada irrelevante).

publicado por Nuno Lobo às 12:50 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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