Sexta-feira, 03.08.12

Conceito Estratégico de Defesa Nacional (I)

Vai ser entregue ao Governo no próximo mês de Setembro uma proposta sobre as Grandes Opções do Conceito Estratégico de Defesa Nacional, proposta que será posteriormente submetida à Assembleia da República para debate. O documento será da responsabilidade da comissão nomeada para o efeito.

Os políticos já deram as directivas à comissão: as ministeriais e as partidárias. As palavras do ministro da Defesa Nacional, cuidadas e politicamente inteligentes acusaram uma preocupação com a racionalização dos meios (necessária sem dúvida), mas ainda nada revelam quanto à amplitude dos cortes e qual o significado da apregoada articulação entre as dimensões da política de defesa e da política económica (a grande incógnita), depois da “diplomacia económica” surge agora, na mesma linha, “a defesa nacional económica” – e aqui, a questão é bem mais delicada. Já os deputados falaram para a imprensa, com linguagem politicamente menos sofisticada, articularam um racional mais limitado e falaram abertamente do que desconhecem: o “duplo uso” das forças armadas – cujo alcance, para muitos, não passa de fazer das FFAA um corpo de protecção civil supletivo, profissional e barato. Depois do fim do SMO a próxima fase do populismo é o “duplo uso”.

Começa-se por estranhar que numa comissão de 26 personalidades, que tem como objectivo produzir um documento sobre defesa nacional, integre apenas 3 oficiais generais (e nenhum no activo). Para um tema desta natureza a componente técnica e profissional está sub-representada. Não se entende o porquê.

Esta comissão é uma chuva de estrelas mas não alimentem expectativas elevadas. No final vamos ver para que serviu todo este exercício.

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Quinta-feira, 02.08.12

Era um segredo de polichinelo

Obama assina directiva secreta de apoio aos rebeldes sírios

O Presidente norte-americano Barack Obama assinou um documento secreto autorizando a ajuda americana aos rebeldes sírios que tentam derrubar o regime de Bashar al-Assad, indicaram nesta quinta-feira as cadeias de televisão americanas CNN e NBC. Os dois canais citam fontes oficiais não identificadas.

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Segunda-feira, 30.07.12

Recordar as palavras de um peregrino

Recordo aqui as palavras do Papa João Paulo II na sua despedida da Síria, agora que falta pouco mais de um mês para o seu sucessor visitar a região - o Líbano.

 

DISCURSO DE DESPEDIDA DE SUA SANTIDADE O PAPA JOÃO PAULO II

NO AEROPORTO INTERNACIONAL DE DAMASCO

 Damasco, 8 de Maio de 2001

 

 

Senhor Presidente

Ilustres Amigos sírios

Senhoras e Senhores

 

1. Ao partir da antiga terra da Síria, estou repleto de gratidão. Dou graças sobretudo ao Deus Omnipotente por me ter oferecido a possibilidade de continuar a minha Peregrinação jubilar de fé, por ocasião dos dois mil anos do nascimento de Jesus Cristo. Dou graças também a Sao Paulo, que tem sido meu companheiro de viagem em cada passo deste caminho.

 

Agradeço de forma especial a Vossa Excelência, Senhor Presidente, bem como aos membros do Governo, que me recebestes com o coração aberto e me estendestes a mão da amizade. O povo sírio é famoso pela sua hospitalidade, e durante estes dias eles fizeram um peregrino sentir-se em casa. Não me esquecerei desta amabilidade.

 

Estou grato à comunidade cristã e, de forma particular, a Suas Beatitudes os Patriarcas e Bispos, pela maneira como me acompanharam ao longo da minha Peregrinação.

 

Conservarei com afecto a memória da minha visita à Mesquita "Omayylde" e a amável hospitalidade que recebi de Sua Excelência o Ministro do Waqf, bem como de sua Eminência o Grão-Mufti e da comunidade muçulmana em geral.

 

Rezo para que a longa tradição síria de relacionamentos harmoniosos entre cristãos e muçulmanos seja duradoura e se torne cada vez mais vigorosa, como um testemunho perante o mundo de que a religião, como adoração do Deus Altíssimo, lança a semente da paz no coração das pessoas. Correspondendo às mais profundas aspirações do espírito humano, ela enriquece e une a familia humana no seu caminho ao longo da história.

 

2. A Síria é uma terra antiga, com um passado glorioso. Todavia, de certa forma a vossa Nação é ainda jovem mas, num período de tempo relativamente breve e através de circunstâncias dificeis, progrediu bastante. A minha oração de peregrino é para que a Síria caminhe com confiança e serenidade rumo a um futuro novo e promissor, e que o vosso Pais entre numa era de bem-estar e tranquilidade para todos os seus habitantes.

 

A Síria constitui uma presença crucial na vida de toda esta região, cujos povos sofreram por demasiado tempo a tragédia da guerra e dos conflitos. Todavia, para que se abra a porta da paz, devem ser resolvidas algumas questões essenciais de verdade e de justiça, de direitos e de responsabilidades. O mundo olha para o Médio Oriente com esperança e preocupação, enquanto aguarda qualquer sinal de diálogo construtivo. Ainda existem muitos obstáculos graves, mas o primeiro passo rumo à paz deve ser a firme convicção de que é possível alcançar uma solução no contexto dos parâmetros da lei internacional e das resoluções da Organização das Nações Unidas. Exorto uma vez mais todos os povos interessados, assim como os seus líderes politicos, a reconhecerem que o confronto fracassou e jamais obterá bom exito. Somente uma paz justa pode criar  as  condições  necessárias  para  o desenvolvimento económico, cultural e social a que os povos desta região tem direito.

 

Obrigado, Senhor Presidente. Obrigado a todos vós:  Shukran!

 

Que o vosso futuro seja repleto das bençãos do Deus Omnipotente. A sua paz esteja sempre convosco:  As-salámû 'aláikum!

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Sábado, 28.07.12

Sensibilidade e bom-gosto

Estes são os Jogos Olímpicos da austeridade, como ficou evidente na cerimónia de abertura - uma grande economia de sensibilidade e bom-gosto.

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Sexta-feira, 27.07.12

As guerras do Levante (II)

 

A Europa necessita rapidamente de gás para satisfazer a sua sede de energia, e a sua produção própria está em declínio. São necessários aproximadamente 30 Bcm/ano de capacidade de reserva para não fazer aumentar, ainda mais, a dependência da Rússia. E para estas quantidades, como expliquei no post anterior, não há muitas alternativas – e algumas que havia foram colocadas a hibernar.

Em Dezembro do ano passado falei aqui da ebulição que está a acontecer no Mediterrâneo Oriental onde de repente se preparam para despontarem dois petro-estados: Chipre e Israel. O problema é que ambos disputam com países vizinhos os limites territoriais das suas reservas energéticas o primeiro com a Turquia e o segundo com o Líbano e a Síria.

Estes recursos estão situados no mar mediterrânico, na bacia do Levante onde se estimam que existam reservas de aproximadamente 122 Tcm de gás e 1,7 biliões de barris de petróleo para o conjunto dos quatro países (fonte da empresa americana que ganhou as concessões para a exploração). E aqui, Israel já se antecipou e promete em cinco anos uma capacidade de exportação na ordem dos 20 Bcm/ano na forma de gás natural liquefeito (LNG). Os grandes projectos em curso são Tamar (o mais adiantado) e o Leviathan, onde estão projectadas grandes plantas de extracção e liquefacção de gás para depois o exportar na forma de LNG. Esta opção é aparentemente a mais racional oferecendo a Israel a hipótese de exportar para a Europa ou para a Ásia, onde o gás poderá valer mais. Hoje ninguém parece acreditar na possibilidade de exportação directa deste gás para a Europa por gasoduto terrestre, onde o gás israelita podia competir directamente com o gás russo. E porquê? Porque neste caso teria que atravessar a Síria.

Como todos concordam, um resultado favorável para Israel, da guerra civil na Síria, é a queda do regime e a sua substituição por um menos incompatível – este é um factor decisivo (como se diz em português moderno um gamechanger) neste enorme jogo de interesses económicos. Primeiro, porque pode abrir a alternativa a Israel do gasoduto terrestre passando pela Síria e pelo apetecível mercado turco e com entrada no mercado da UE pela Grécia. Segundo, mesmo com a opção pelo gás natural liquefeito a queda do regime sírio poderá tirar o apoio ao Hezbollah no Líbano, o que para além de aumentar a segurança das fronteiras terrestres a norte de Israel, vai também aumentar a segurança no mar Mediterrâneo protegendo as infraestruturas energéticas de potenciais ataques hostis; e, mais importante, favorecer a negociação das fronteiras marítimas em disputa com os governos do pós-guerra do Líbano e da Síria para a distribuição de tão valiosos recursos energéticos. Quanto à hipótese de um gasoduto submarino que ligue também o Chipre e entre na Europa directamente pela Grécia – pessoalmente, acho que não interessa nem à Turquia e menos ainda aos investidores americanos, pelo facto de passarem ao lado deste enorme mercado e importante aliado.

 

Neste caso, por muito que os média fustiguem a opinião pública mundial com as barbaridades da guerra, a Rússia nunca estará disponível para colaborar – não abrirá de boa vontade o corredor do Levante a Israel e às empresas petrolíferas americanas. As guerras têm sempre uma componente económica, e esta não é diferente.

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Quinta-feira, 26.07.12

As guerras do Levante (I)

 

A Síria é agora a porta que uns querem abrir (ou arrombar) e outros querem manter bem fechada. Muitos perguntam porque se prolonga e agudiza aquela guerra dado que aparentemente não há móbil económico conhecido, porque investem tanto a Rússia como a Turquia naquele país, em lados opostos, porque há homens da CIA e da Mossad também no terreno em apoio aos rebeldes, sem no entanto conseguirem ouvir uma explicação que os satisfaça e que una os pontos. Aviso que não tenho essa pretensão, apenas desejo escrever sobre uma vertente desta complexa guerra.

Muito do que vemos e ouvimos no espaço informativo não ajuda, explica mal o que se está a passar no terreno e muito pouco do que efectivamente acontece nos bastidores da política internacional. A informação que nos chega sobre a guerra civil na Síria merece e deve ser devidamente filtrada; nomeadamente a do mainstream noticioso (da CNN à Al-Jazeera) e das despreocupadas agências noticiosas nacionais.

Uma razão para nós europeus exigirmos ter melhor informação é porque esta guerra ainda nos diz respeito – esta é, também, uma guerra pelo acesso aos mercados europeus e em particular ao mais apetecível de todos: o mercado da energia.

Vejamos então esta vertente da guerra (não sei se a mais importante), o caso concreto do mercado da energia: a Europa é ainda um muito desejado mercado para os países exportadores de recursos energéticos e não está a conseguir libertar-se do espartilho movido há já algum tempo pela Rússia. Face às quantidades em jogo para satisfação das necessidades futuras de energia na Europa, agora que países como a Alemanha, a Bélgica e a Itália desistiram da opção nuclear, poucas são as soluções alternativas aos russos. Na verdade, para as quantidades em jogo, havia apenas duas alternativas aos russos: o Norte de África e o Irão, todas as outras apenas mitigavam o problema. O gás que possa vir de outros países de leste como o Azerbeijão ou do Turquemenistão não ameaça seriamente as ambições de Putin. A Rússia conduz uma estratégia sem diversificação que também a torna, cada vez mais, dependente da cativação da Europa – de quem quer ser o principal fornecedor arriscando a que esta seja o seu principal consumidor. A dependência económica russa dos recursos naturais (energias fósseis), e a falta de mercados de dimensão alternativos à Europa, faz com que o fracasso desta estratégia não seja sequer admissível por Moscovo – poderiam conduzir a convulsões sociais inimagináveis.

A estratégia da Rússia passa por “secar” as alternativas concorrentes através de alianças estratégicas. Depois das alianças com as companhias energéticas alemãs e até mesmo com os governos regionais na Alemanha já conseguiu alianças estratégicas com importantes países europeus, países que podiam oferecer entradas a sul: a Itália e a França. À Itália (à ENI), com o elevado patrocínio de Putin, amigo e aliado indefectível de Berlusconi, foi oferecida participação em importantes investimentos em projectos na Rússia e nos gasodutos que transportarão o gás de leste até à Europa. Com a França foi usada a mesma estratégia e a GDF tem já um importante conjunto de alianças na Europa com a Gazprom. A neutralização destes dois países era importante, ambos podiam oferecer uma alternativa ao gás da Rússia, o gás proveniente do Norte de África, nomeadamente da Argélia, e da Líbia. Sabendo o estado a que foi conduzida a região não é necessário fazer aqui mais desenvolvimentos sobre esta hipótese e a confiança que esta oferece aos investidores.

Sobra ainda a outra alternativa, capaz de satisfazer o apetite energético europeu e competir com os russos: o Irão.

O Irão, por razões sobejamente conhecidas, era até há pouco uma carta fora do baralho para o fornecimento de energia à Europa, até que a Turquia (secundando a China) a resolveu usar. Desde que o poder mudou na Turquia, a sua relação com o Irão tem sido muito ambígua, parecendo acatar as resoluções internacionais mas simultaneamente defendendo-o da aplicação das sanções económicas e até aumentando as trocas comerciais com aquele país. Uma das razões é a sua dependência energética. A Turquia vem mantendo com a Rússia um importante braço de ferro energético (mas também alianças pontuais) e não deseja aumentar o seu grau de dependência - as ambições de potência regional assim o exigem. A Turquia anunciou recentemente um importante investimento – o início da construção de um gasoduto de 5000 km com capacidade para 35 Bcm/ano para simultaneamente importar gás directamente do Irão para o seu mercado interno e exportar para a Europa (o curioso, e para quem não saiba, é que o gás iraniano, ao contrário do petróleo não está sujeito a sanções). A Rússia nunca acreditou seriamente na concorrência iraniana pelo mercado energético europeu, e sempre desconfiou da possibilidade da concretização de uma aliança de iranianos e turcos – a história corroborava esta opinião suportada na falta de confiança mútua. Pode não passar de um bluff de Erdogan, para objectar à decisão russa pelo South Stream, vamos aguardar para ver porque a história não acaba aqui.

 

Por agora, os russos estão demasiadamente concentrados a dificultar a vida a um concorrente de última hora, bem mais credível - o mais recente potencial petro-estado do Mediterrâneo Oriental. Estão a tentar obstruir a entrada do gás de Israel no mercado energético da Europa, pelo corredor do Levante: a Síria. É que Israel, como a Rússia, alimenta a ambição de abastecer a Europa, depois das extraordinárias descobertas de gás na bacia do Levante.

 

No próximo post vou tentar explicar as ambições israelitas e como se cruzam na guerra civil da Síria os interesses opostos de Israel e da Rússia numa violenta guerra que é também económica. Esta é uma das guerras que se trava no Levante.

 

(contínua)

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Domingo, 15.07.12

Edward Steichen e as estrelas

 

 

(Joan Crawford)

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Sábado, 14.07.12

Edward Steichen e as estrelas


Marlene Dietrich (1932)
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Quinta-feira, 12.07.12

A receita da oportunidade única

 

A receita do FMI para controlar as crises financeiras é por demais criticada, da esquerda à direita, da Ásia à América Latina, por onde andou antes de ter chegado à Europa. Muitos a criticam com alguma razão, principalmente por ignorar a dimensão política das crises. Os únicos que parecem ter apreciado a actuação do FMI foram os oligarcas russos, que se gabam, inclusivamente, de terem enganado a instituição e de esta lhes ter permitido ficar com todas as grandes indústrias e recursos naturais do país por via do dinheiro emprestado – um favor que devem aos amigos americanos.

Quem teve oportunidade de trabalhar com técnicos do FMI sabe que são uma espécie de homens de negro, por norma bem-educados, intelectualmente muito bem apetrechados mas com a sensibilidade política de um Rottweiler.

Recordo aqui um pequeno episódio pessoal. Há quase uma década, tive na minha vida profissional a possibilidade de participar em duas reuniões, pedidas por técnicos do FMI em missões de acompanhamento do desempenho da política macro-económico e orçamental de um país, que não Portugal. Um desses encontros teve como tema principal as dívidas de organismos do Estado à principal companhia de fornecimento de energia eléctrica do país. Após a reunião ter terminado, um dos técnicos deteve-me algum tempo à conversa - ele achava que, sobre o motivo da reunião (a dívida do Estado), a empresa não estava a fazer o suficiente. A empresa tinha argumentado que, por exemplo, não podia cortar o fornecimento eléctrico por falta de pagamento a instalações militares e a hospitais, e que a iluminação pública era também um tema sensível e de segurança – uma argumentação considerada “mole”, de todo incompreensível para aquele técnico. Em consequência, o senhor investiu vinte minutos a convencer-me, com argumentos absolutamente canónicos, que: não só a empresa o devia fazer como até seria politicamente pedagógico para a população, dando-lhe a percepção dos custos das acções dos maus políticos e sinalizando os custos económicos das suas más decisões; nos EUA ninguém equacionaria o direito de uma empresa privada interromper o fornecimento para tentar receber uma dívida (mesmo que o devedor fosse a Casa Branca), etc. Fiquei esclarecido e, confesso, até certo ponto deslumbrado pela coerência argumentativa: a pureza no raciocínio, a primazia do Direito, a defesa da educação política por via da acção económica. No entanto, não passava de simples insensibilidade política, e acho que esta "insensibilidade" nunca foi muito apreciada, mesmo em Washington.

 

Recordei este episódio quando relia por estes dias um livro de 2002 de Henry Kissinger, “Does America Need a Foreign Policy?”, e no qual o experiente político dedica um capítulo ao tema das crises financeiras internacionais e ao FMI. Há frases que merecem hoje, a um Europeu, a atenção que não tiveram há uma década.

 

"As medidas para conter e resolver as crises suscitadas pelo sistema financeiro internacional têm, demasiadas vezes, agravado as questões. O instrumento escolhido para evitar a rotura é o FMI.

(…)

No entanto, no passado as suas receitas serviram muitas vezes para exacerbar o problema, visto serem essencial e abstractamente económicas, ao passo que a crise, quando mais profunda, mais política se torna. Além de que o FMI está mal apetrechado para lidar com as consequências politicas dos seus programas.

O programa quase padrão do FMI foi desenvolvido durante a crise de dívida da América Latina na década de 80, com origem no endividamento dos governos perante instituições financeiras, que tinham incentivado os pedidos de empréstimos com base na teoria que era impossível não pagar títulos da dívida pública.

(…)

Aquilo com que a teoria não contou foi que a estrutura política do país devedor poderia não conseguir suportar o sacrifício durante o período que mediaria entre a falta de pagamento e a presumida recuperação da credibilidade. A descida do nível de vida e o aumento do desemprego enfraqueceram inevitavelmente a posição interna dos governos afectados. A estagnação resultante levou a que o problema da dívida se arrastasse durante dez anos ou mais, até ser negociada uma solução política que produziu um alívio efectivo nos governos, que se encontravam sob grande pressão."

 

Ao contrário de outros, há quem tenha sempre a história económica bem presente na sua acção política, e espreite nela a “oportunidade única” que a história lhe pode oferecer – é o caso de Francisco Louçã. A entrevista ao Expresso da semana passada é digna de antologia. E não se acomodem ao raciocínio simples que é só o actual Governo, ou a direita, que está sob ameaça da degradação da situação política.

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Segunda-feira, 09.07.12

O poder delas

(Aqui)

 

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Domingo, 08.07.12

No princípio era a fotografia (Edward Steichen)

 

 Gloria Swanson (1924)

 

Edward Steichen (1879-1973)

 

Foi conjuntamente com Stiglitz, que conheceu no ano de 1900 em Nova York, um marco do pictorialismo americano, ambos partilharam a fundação do movimento Photo-Secession e da revista Camera Work e mais tarde a propriedade da famosa Gallery 291. Depois veio a guerra e a fotografia aérea de reconhecimento. Entre 1923 e 1938 fotografou para a Vanity Fair e para a Condé Nast, a sua arte ajudou a imortalizar os seus modelos: Greta Garbo, Marlene Dietrich, Gloria Swanson ou Gary Cooper são recordados nas suas fotografias como deuses de um Olimpo que não existe mais.

Edward Steichen foi um artista e um homem invulgar, alguém que aceitou voltar à vida militar já com idade avançada, quando o seu país entrou na guerra, aceitando contribuir com os seus conhecimentos fotográficos ao serviço da marinha de guerra americana.

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Sexta-feira, 29.06.12

Habilidade diplomática

De acordo com os dados revelados, a China diminuiu a importação de petróleo do Irão em 25% nos primeiros 5 meses deste ano. Nos EUA, Obama agradece e suspira de alívio - por num período eleitoral não ter que ser consequente com as ameaças que tinha feito. No Irão, este é um sinal ao regime para não tentar forçar o tom das ameaças; e ceder mais vantagens comerciais no sector petrolífero. Habilidade diplomática também é isto: fazer simultaneamente um favor a um adversário e uma advertência a um aliado. O favor será cobrado em breve (como indícia a notícia), a advertência já deverá ter revertido em valor económico.

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Quinta-feira, 28.06.12

Jobs: o segredo comercial da Apple

emprego, emprego e mais emprego 

 

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Quarta-feira, 27.06.12

Notícias da frente Leste (a Ucrânia)

 

O jornalista Miguel Gaspar tem assinado esta semana no Público uns artigos interessantes sobre a Ucrânia – recomendo a leitura. A Ucrânia é um caso complexo, como explicava um cidadão ucraniano ao jornal de segunda-feira, a Ucrânia é metade Europa, metade Ásia, um país bipolar onde a sua política é um confuso reflexo desta realidade. A União Europeia desejou a inclusão da Ucrânia no seu espaço de influência política e económica, hoje nem tanto, ao contrário, a pretensão da Rússia de a arregimentar para o seu espaço político a leste é continuamente reforçada.

Estou convencido que a União Europeia deu a Ucrânia como um caso perdido, prefere vê-la como aliada da Rússia do que como um factor de instabilidade e perturbação (nomeadamente no fornecimento de gás à Europa). A Ucrânia lê bem estas intenções e acusa a UE, a coberto das boas relações que alguns dos seus Estados Membros mantêm com a Rússia, de a empurrar para os braços do urso. Quem está muito preocupada com tudo isto é a Polónia, preferia não arriscar a ver a Ucrânia ser asfixiada pelo abraço (ao que noticiam, na inauguração do Euro 2012 o indesejado presidente ucraniano passeou-se pelos tapetes vermelhos de Varsóvia).

A verdade é que, a Ucrânia nada fez para confirmar as diversas alianças (económica e energética) que lhe foram oferecidas pela UE – desaproveitou todas as oportunidades e, pior, fazendo uso de manobras simplesmente oportunistas. Agora, se pretendesse voltar atrás provavelmente seria tarde, estou entre os que acreditam que aumentaram, e muito, as probabilidades de a Rússia, após as eleições de Outubro na Ucrânia, fazer uma “tomada hostil” (sem tanques nem violência) à qual a UE vai assistir com uma contida satisfação.

A Ucrânia está falida e o FMI não parece disposto a salvá-la. Actualmente, só o Gazprombank lhe empresta dinheiro e para comprar gás à Rússia, e a Putin já começa a faltar paciência para as fanfarronices de Yanukovych. A conjugação do desespero financeiro da Ucrânia e da dependência energética da Europa vão ditar o salvo-conduto para a Rússia obter, finalmente, o que tanto deseja: o domínio do operador da rede de transporte de gás (o controlo da Naftogaz, o objectivo mais ambicionado); e a participação da Ucrânia numa união económica e aduaneira a leste, juntamente com a Bielorrússia e o Cazaquistão.

Há mais em jogo na Ucrânia do que a partida de hoje e a final do EURO 2012 no próximo fim-de-semana em Kiev.

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Domingo, 24.06.12

Notícias da frente Leste (a Polónia)

 

 

A Polónia e a Ucrânia são por estes dias palco de outras batalhas que não apenas as desportivas. Estes dois países, determinantes para o futuro da União Europeia a leste, travam uma guerra acesa contra a dependência energética da Rússia, as hipóteses de sucesso não são muitas e os aliados também não.

Vejamos o caso da Polónia, país membro da União Europeia. A Polónia não confia em ninguém, nem nos russos nem nos seus parceiros da UE, apenas em si, e talvez nos norte-americanos. Na passada semana, mais uma vez, fez saber que não está disponível para se "suicidar" às ordens da União Europeia. O seu vice primeiro-ministro e ministro da economia reiterou que a Polónia se opõe aos objectivos obrigatórios inscritos no “Energy roadmap 2050”, proposto pela anterior presidência dinamarquesa da UE. Todos os outros 26 membros da UE já apoiaram as conclusões excepto a Polónia. Mais, quer que a UE só se comprometa com novos objectivos, em termos ambientais, após um acordo mundial e que se deixe de voluntarismos – algo que não vai ser fácil, como tivemos oportunidade de ver na Cimeira do Rio+20.

É fácil criticar esta atitude da Polónia, porém não o devemos fazer com leviandade – a situação polaca é bastante complexa e merece ser tratada como um caso singular. O seu sector eléctrico é dependente do carvão em 90% e as alternativas não são muitas, a opção lógica seria o gás natural, mas a Rússia já fornece 60% do gás consumido na Polónia, o restante gás importado vem da Alemanha, e aumentar esta dependência é algo que os polacos assumidamente não querem. O documento que contém a estratégia de segurança nacional da Polónia é claro: “a maior ameaça à segurança nacional do país é a dependência da sua economia de uma única fonte energética externa”.

Os políticos polacos estão conscientes que a actual indústria do carvão está comprometida e que é preciso fazer a reconversão industrial e tecnológica. O que estão a fazer é a comprar tempo, até que tenham condições de prosseguir com outras tecnologias e fontes energéticas alternativas que lhes garantam a segurança de abastecimento e o progresso económico. Diga-se, em abono dos polacos, que alguma coisa tem sido feita: terminais de GNL, interligações por gasodutos com países vizinhos, primeiro país a avançar com a prospecção de gás não convencional (shale gas), tendo também avançado com produção eléctrica com base em energias renováveis e medidas de promoção da eficiência energética. O Governo polaco aprovou em 2009 um documento com a sua política energética até 2030, no qual prevê, por exemplo, que a tecnologia nuclear venha a representar 17% na produção de energia eléctrica (actualmente não existe) – estão a imaginar a irritação que esta medida provoca na sua vizinha Alemanha (até deu origem a uma queixa à Comissão Europeia).

O que os polacos não estão dispostos a fazer é mudanças radicais de acordo com os calendários e os termos delineados em Bruxelas, e a fazê-lo a qualquer preço – arriscando-se a provocar uma convulsão social grave com destruição do importante sector mineiro, são mais de 110.000 trabalhadores.

Mas há um problema sério, onde a oposição da Polónia não é um facto de somenos para as ambições da União Europeia, agora que toda a agenda europeia parece vir a ser apoiada na transição do modelo energético, até a França já veio dar o seu assentimento. A UE está consciente, se quiser avançar por aí, tem de: reformar primeiro o mercado de emissões. A rentabilidade dos novos investimentos em energias renováveis está dependente de um preço do CO2 elevado. Com o actual preço de mercado do CO2 não há o incentivo necessário para o desenvolvimento rápido das renováveis e do gás, ao contrário do carvão que tem queimado bem. O excesso de oferta de licenças e a crise económica afundaram o preço de mercado do CO2, a tocar agora valores na ordem dos 7€/ton. Com este preço do CO2 até o carvão espanhol das Astúrias o único risco sério que enfrenta é o de ser substituído pelo carvão da Colômbia ou da África do Sul ou mesmo da Austrália.

A Comissão Europeia parecia ter um plano para sair deste limbo e iniciar a reforma necessária na cimeira da próxima semana, mas… mais uma vez a Polónia não está pelos ajustes e vai inviabilizar qualquer alteração ao mercado de emissões. Em alternativa, a Comissão accionou o seu plano de contingência e está a estudar formas de contornar as incitativas que necessitem o consenso dos 27. Deve estar preparada para propor uma qualquer medida administrativa que impulsione artificialmente o preço do CO2 para um valor superior aos 20 €/ton, no médio prazo – só assim a “economia verde” pode ter futuro. Esperemos que no desespero de colocar este mercado a funcionar, a UE não condene um dos seus. A Polónia não merece e os riscos podem ser muito elevados, é que o projecto europeu não tem que, obrigatoriamente, começar a desmoronar-se pelo Sul.

Não está fácil a vida na frente Leste, a situação exige flexibilidade táctica e inteligência estratégica. A Ucrânia é uma outra história, fica para outra oportunidade.

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Quinta-feira, 21.06.12

Verão quente

 

Começa hoje o Verão e já sabemos as previsões meteorológicas para Julho, as datas das greves dos “ricos” e as agendas dos festivais de Verão. Só não sabemos ainda onde vai ser o festival de violência e crime deste Verão, depois de Paris e Londres qual será a cidade europeia escolhida para o evento?

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Domingo, 17.06.12

No princípio era a fotografia (Henry Peach Robinson)

 

 

Fading away -  (1858)

 

Henry Peach Robinson (1830-1901)

Inicialmente pintor e depois fotógrafo, este inglês foi o autor de "Pictorial Effect on Photography" (1869), uma referência teórica do pictorialismo fotográfico. A sua obra mais conhecida “fading away” chocou os princípios da sociedade vitoriana pelo seu realismo mórbido; o sofrimento e a morte expostos com o esplendor do suporte fotográfico. Diverte-me imaginar que hoje, provavelmente, esta fotografia ganharia um prémio do World Press Photo pela denúncia de alguma disfuncionalidade social que leva à morte, e os críticos encontrariam uma qualquer analogia com uma obra renascentista – algo que era reivindicação de Henry Peach em meados do século XIX – a fotografia no trilho da grande arte.

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Sábado, 16.06.12

Inovação energética e (des)industrialização

 

O Governo alemão está numa verdadeira encruzilhada.

A mudança de política energética pode vir a custar aos contribuintes alemães 15.000 M€ só em indemnizações às empresas produtoras (por acto ilegal de expropriação). O plano de transição energética (Energiewende) está a ser o verdadeiro calcanhar de Aquiles da senhora Merkel dentro de portas. São recorrentes as notícias menos favoráveis sobre a política energética alemã: as indemnizações; a demissão do ministro; as várias empresas que ameaçam fechar ou deslocalizar-se. Por exemplo, a empresa de produção de alumínio Voerdal (3ª maior da Alemanha) que emprega 400 trabalhadores queixa-se que os seus custos com a energia subiram mais de 40% decorrente das mudanças políticas, se o governo da Renânia do Norte-Vestefália não a resgatar vai fechar portas.

O Governo alemão também sabe que a conversão do sector eléctrico para a um sector assente em produção renovável vai necessitar de muitas centrais a gás e para que estas sejam construídas: o mercado grossista de electricidade não chega. O mercado não oferece remuneração suficiente, são necessários outros incentivos, algo semelhante a pagamentos por “serviços de garantia de potência”. Foi isto que concluiu um estudo recente que o próprio Governo encomendou à Universidade de Colónia. Portanto, nada de novo, apenas limitaram-se a obter a credenciação científica da solução – aliás, as empresas alemãs já tinham feito saber que não estavam disponíveis para construir as necessárias centrais a gás, para trabalharem menos de 20% das horas do ano, sem a devida compensação. Outros estudos encomendados pelo próprio Governo também não ajudaram, a McKinsey estima que em resultado do novo modelo energético os consumidores alemães vão pagar em 2020 mais 60% pela energia que consomem, passando dos actuais 13.500 M€/ano para 21.500 M€/ano (não inclui a indústria).

Ao contrário do que possa parecer, este não é apenas um assunto de política interna, este tema deve preocupar os demais países europeus, um factor de agravamento significativo nos custos da energia pode tornar a Alemanha bastante sensível à crise económica actual e fazer piorar ainda mais a situação no resto da Europa.

Quer o Governo alemão corrigir esta trajectória? Ainda tem espaço de manobra? Cada vez menos.

publicado por Victor Tavares Morais às 10:00 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Reactivados

 

Com a chegada dos consumos de Verão e a economia a sofrer com os preços da energia, o primeiro-ministro japonês não teve alternativa e autorizou a religação de dois reactores nucleares.

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publicado por Victor Tavares Morais às 09:00 | comentar | ver comentários (1) | partilhar
Terça-feira, 12.06.12

Cheira a gás e a dinheiro

 

Está a rodar “Promised Land”, um filme político que promete não passar despercebido. É um filme que tem o actor Matt Demon como cabeça de cartaz e cujo argumento foi escrito por ele em conjunto com John Krasinski. Este é o filme de maior orçamento alguma vez realizado sobre a indústria do gás nos EUA – neste caso a nova indústria do gás de xisto (shale gas). Não são conhecidos muitos detalhes do filme, apenas se sabe que estão a terminar a rodagem na cidade de Apollo, no estado da Pensilvânia.

Hollywood entrou no jogo político e apostou na controvérsia causada pelo tema da exploração de gás. Depois de “Gas Land” (2010) - um filme de Josh Fox imbuído de muito activismo mas que conseguiu, apesar de tudo, ser nomeado para os Óscares, tendo perdido para o famoso documentário "Inside Job". Agora com a entrada de Hollywood as apostas subiram, é um outro campeonato.

As dificuldades para a indústria do gás, após a exibição e divulgação de “Promised Land”, vão ser maiores do que em 2010. O impacto internacional do filme também não é de desconsiderar. No entanto, os produtores do filme querem fazer crer que não há uma tomada de posição, mas ninguém parece acreditar. É óbvio que, para além de algum activismo com que possa vir embrulhado o filme, a indústria cinematográfica também o faz neste momento por dinheiro.

 

Mas a entrada de Hollywood na polémica é meritória. Só uma indústria muito poderosa, como é a indústria cinematográfica americana, pode pretender desafiar a ainda mais poderosa indústria da energia. O poder do lobby da indústria americana da energia era até há pouco tempo inabalável, os muitos milhões gastos com políticos e advogados garantiam à indústria um estatuto de "intocáveis" - as coisas têm mudado muito, mas Hollywood pode acelerar a mudança. Repito as palavras de um profissional americano da indústria quando instigado a falar do tema – “O lobbying já não chega, os políticos e os advogados já não nos podem garantir o futuro, temos que ir falar directamente com as pessoas e explicar-lhes o que estamos a fazer, e como lhes poderemos melhorar a vida”. Agora vai ser uma luta dura, com muita demagogia à mistura, mas antes assim.

publicado por Victor Tavares Morais às 00:26 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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