Terça-feira, 11.09.12

Notícias do país que "tem professores a mais"

"Quase um milhão de portugueses não tem qualquer nível de escolaridade. (...) Cerca de 49,1% da população com mais de 15 anos não possui o 9º ano de escolaridade e 25,5% tem apenas o 1º ciclo do ensino básico."

 

Podem continuar sentindo orgulho na Pátria, lendo por aqui.

 

(Perante isto, é impossível não sentir algum alívio: imagine-se como estaríamos, se não houvesse "professores a mais"!... Não sei como será na Áustria, esse exemplo eleito por Nuno Crato [ver video, a partir do min 3], mas caberá perguntar: é admissível comparar-se, como ele faz, de qualquer maneira, o número de professores dos dois países (ou a sempre popular ratio professores/alunos), sem ter em conta multiplicidades curriculares, diferenças históricas e culturais, o estado actual de escolaridade das populações, etc?... A não ser que se varra tudo isso - e caberá, então, perguntar ainda: é sério esse modo de dispor as coisas?... A resposta parece-me evidente.

Entretanto, já sabemos que virá por aí a litania - curiosamente, contraditória com o resto da "argumentação" - segundo a qual não importará a quantidade de docentes, mas sim a sua "racionalização", o que permite sempre aceitar acriticamente qualquer número, independentemente do seu reflexo na qualidade do serviço.)

 

A expressão "professores a mais" é filha de uma perspectiva que, curiosamente, apenas aceita derivações num só sentido. Isto é, para os adoptantes dessa perspectiva, é admissível somente o "a mais", mas nunca o "a menos". Portanto, à primeira vista, se se aparecesse, sem mais, a defender haver "professores a menos", cair-se-ia na mesma miopia infantil. Aparentemente, essa seria uma acusação justa. Mas acontece que, na verdade, tratando-se deste assunto (por mais que assim seja para algumas cabeças simples, os assuntos não são todos equivalentes...), o significado de "professores a menos" não é apenas e simplesmente o reverso de "professores a mais". Por assim dizer, o uso desta última expressão acaba, afinal, por ter uma diferença "qualitativa" e não meramente "quantitativa" relativamente à outra. Isto é, nesse sentido, e cedendo até certo ponto à ridicularia impertinente destas expressões, diga-se que nunca há professores "a mais" e que, pelo contrário, há sempre professores "a menos".

 

Só não seria assim, se o ensino-e-aprendizagem fosse um processo de "engorda" (como se tende, naturalmente, a considerá-lo). Mas não. O "resultado" do ensino não é qualquer coisa como um acrescento finito (a "engorda"), mas antes uma alteração do olhar. Talvez simplificando, é o que acontece quando uma criança deixa de ver, diante de si, traços ininteligíveis e passa a ver, ali, letras (isto é, o seu olhar, não se qualifica, mas, antes, altera-se para um ler); quando se estuda a partir da tabela periódica; quando se reconhecem figuras de estilo; quando se determinam propriedades do espaço antes insuspeitas; quando se descobre a cadência da anáfora; etc. Só se as coisas não se passassem assim, haveria lugar para uma recorrente possibilidade de um "a mais" de professores - acontece que é essa própria possibilidade que não faz, de todo, sentido.

 Pode passar-se na situação presente aquilo que vulgarmente se descreverá como "desperdício". Um professor, enquanto tal, mesmo que enquadrado no serviço público (ou, talvez, precisamente por isso), constitui-se sempre como a (instituída) condição da possibilidade da completação infinita da natural incompletude dos humanos. E essa tarefa é infinda.

Nesse sentido, a simples consideração do "haver professores a mais" (para não falar das decisões políticas mesmas) constitui qualquer coisa como um absurdo antropológico.

publicado por Carlos Botelho às 00:40 | comentar | ver comentários (14) | partilhar
Segunda-feira, 10.09.12

Da RTP (12)

tags:
publicado por Carlos Botelho às 17:00 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Lembrete

publicado por Pedro Braz Teixeira às 16:23 | comentar | partilhar

Aumentos "secretos" de impostos

Gosto de ler o João Miranda no Blasfémias. Às vezes parece que está a dizer só coisas evidentes, mas a verdade é que tem o condão de clarificar e trazer à luz aquilo que estava escondido naquele modo falacioso de descrever a economia que tantas vezes encontramos na nossa imprensa, e na boca dos nossos políticos.

 

Pois é, não deixar o governo aumentar os impostos, se isso levar a ficarmos com mais défice é equivalente a... aumentar os impostos. Até iria mais longe - é um aumento de impostos pior, porque mais escondido, mais falaciosamente apresentado à população. E, nos tempos que correm, é gravíssimo cair de novo no mesmo erro que nos trouxe ao triste estado em que estamos.

 

Claro que se pode argumentar que não é directo que um não-aumento de impostos resulte em mais défice, há certamente outras variáveis pelo meio, e o Governo continua a parecer pouco convincente quanto aos cortes do lado da despesa. Mas que se argumente, que se explique, porque isto já está apertado por todos os lados.

 

Foram ingénuos aqueles que rejubilaram com o acordão do Tribunal Constitucional sem perceber que a coisa havia de doer noutro sítio. O nosso debate político devia ser sobre como equilibrar isto da melhor maneira possível, mas cortando o que for preciso cortar; quem quiser deixar os cortes para descarregar no défice merece o mesmo opróbrio que recai (justamente) sobre os que propõem aumentos de impostos. É que querer suavizar a nossa dor financeira actual à custa da geração que se segue é um vício feio para o qual temos de começar a sensibilizar-nos...

publicado por Pedro Gonçalves Rodrigues às 11:23 | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Não uma derrota, mas sim uma extinção

"(...)

Há momentos reveladores. Para Elias Rukla, o professor de literatura norueguesa da Escola Secundária de Fagerborg, foi quando ouviu na sala de aula o suspiro de enfado de um aluno. Ou antes disso, quando se começou a “sentir ofendido porque os jornais e as televisões já não se dirigiam a ele”.  Já não lhe apetecia ler, os debates da televisão não tinham ninguém com quem realmente se identificasse. Sentia-se “à margem”, “fora do jogo”, e magoado por isso. Precisava de encontrar as pessoas diferentes. Alguém que, inesperadamente, uma manhã, lhe citasse Thomas Mann, como acontecera uma vez na sala de professores. Mas  “o espaço  público que uma conversa exige estava ocupado” .

A notícia de encerramento do serviço público de televisão diluiu-se no ruído de fundo da rebentação das ondas de agosto. Uma administradora do regime escreveu na sua página muito fresca do FB que “não estava disposta a pagar os prazeres culturais de 4%”. Elias  também pensou , no início, que o seu mal estar era o de uma minoria que não aceitava a sua derrota. E que era preciso ter a humildade necessária para continuar a acatar as regras da maioria, mesmo quando elas parecem absurdas.
Não se tratava de uma derrota mas sim de uma extinção. Um barco para a deportação, um campo de extermínio, uma câmara de gás, um gulag. Devemos aceitar o garrote em nome da democracia? Da vontade da maioria. Os touros de morte, a festa brava, a nossa marca cozida à blusa, o matadouro.
(...)"
 
Luís Januário, "A resposta de Gregers Werle", A Natureza do Mal
publicado por Carlos Botelho às 00:56 | comentar | ver comentários (6) | partilhar
Domingo, 09.09.12

As novas medidas de austeridade V - Uma correcção decente

Tirar dois meios subsídios em cada ano é contabilisticamente semelhante a tirar 7% do rendimento mensal. Porém, a grande maioria das famílias organiza o grosso do seu orçamento em duodécimos, pelo que na organização da vida famliar é muito diferente em termos da tesouraria das famílias ficar com menos 7% do rendimento mensal ou ficar com menos 50% de cada um dos subsídios.

Nesta perspectiva é muito importante que o Governo permita que a parte da contribuição para a segurança social que está a cargo do trabalhador seja entregue pelas empresas à segurança social não mensalmente mas semestralmente em Junho e Novembro. Na practica os trabalhadores receberiam o mesmo salário líquido mensalmente e nos meses de subsídio receberiam apenas metade de cada um dos dois subsídios.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 19:47 | comentar | ver comentários (6) | partilhar

As novas medidas de austeridade IV - Uma dúvida por esclarecer.

O que acontece aos gerentes, administradores e aos quase 800.000 trabalhadores independentes que existem em Portugal ? Em rigor existe um aumento no conjunto da contribuição dos actuais 34,75% (23,75% mais 11%) para os futuros 36%. O que acontece com os gerentes e os trabalhadores independentes que estão sujeitos a estruturas de contribução e de protecção diferente?

publicado por Pedro Pestana Bastos às 16:56 | comentar | ver comentários (1) | partilhar

As novas medidas de austeridade III - A questão constitucional

No acordão do TC os Juízes entenderam que um corte nos salários dos funcionários não é contrário à CRP quando o corte é justificado em função de condições extraordinárias efectivas, que foram aliás reconhecidas pelo TC. O Juízo de inconstitucionalidade decorreu do facto da solução não ter sido considerada equitativa entre todos os tipos de rendimentos e entre trabalhadores dos sectores público e do privado. 

Com as medidas anunciadas medidas que sobrecarregam os trabalhadores do privado e a já aventada possiblidade de tributação de outros rendimentos, o Governo, reduz a possibildade de ser formulado um juízo de inconstitucionalidade em função da falta de equidade. Ao invés aumenta brutalmente o riscos no que toca ao teste da transitoriedade. Não duvidem, ou o Governo corrige a indicaçãode os cortes serão definitivos ou então o TC declara que a norma que os consagra é inconstitucional.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 16:43 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

As novas medidas de austeridade II - (o futuro da segurança social)

Se o país aguentar o embate das novas medidas (não é certo), a nova estrutura das contribuições para a segurança social pode facilitar adesão dos portugueses para um plafonamento das contribuições para a segurança social. Com uma repartição entre entidade empregadora e trabalhador 50/50 é mais apetecível evoluir para um regime em que a contribuição (e a pensão) do trabalhador têm um tecto, a partir do qual o trabalhador deixa de descontar.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 16:36 | comentar | ver comentários (3) | partilhar

As novas medidas de austeridade - Tudo ou nada

O Governo encavou.

Pedro Passos Coelho surpreendeu tudo e todos com uma revolução na estrutura de descontos para a segurança social. Até agora os trabalhadores participavam com 31% da contribuição e as entidades empregadoras participavam com 69% da contribuição.

A partir de 2013 os trabalhadores passam a suportar 50% e as entidades empregadoras 50%. O aumento da contribuição de uns é compensado pela diminuição da contribuição de outros. Os efeitos para a economia são incertos mas o governo arriscou aplicar uma receita que acredita.

Se no final de 2013 o país não apresentar sinais de recuperação, os partidos do governo serão sovados nas autárquicas e, provavelmente, o Governo não resistirá.

publicado por Pedro Pestana Bastos às 16:06 | comentar | ver comentários (2) | partilhar
Sábado, 08.09.12

Da RTP (11)

tags:
publicado por Carlos Botelho às 21:05 | comentar | partilhar

Mistério juvenil

 

"Este Ministério está a olhar para o século XXI. Houve uma ilusão no século XX de que as ideias do século XIX sobre a Educação funcionavam - de não haver avaliação dos estudantes, de não se ser exigente. O século XXI aparece com muito maior conhecimento sobre Educação, da importância da autonomia das escolas, da avaliação, do reforço das matérias fundamentais, de metas curriculares. É um salto para o futuro."

O Ministro da Educação, ontem, ao Sol.

 

É para mim um mistério que Nuno Crato, mesmo não mostrando ter, propriamente, um pensamento sobre a Escola e mesmo sendo dificilmente merecedor de respeito depois de uma entrevista como esta, que ele, um homem inteligente, diga aqueles simplismos grosseiros de feira. Trata-se de superficialidades agora em moda para entreter ignorantes e para conferir um verniz "científico" ao discurso daqueles - abundantes por aí - que não sabem do que falam. Era mesmo preciso?...

publicado por Carlos Botelho às 12:10 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Duas perguntinhas

As medidas apresentadas há poucas horas pelo primeiro-ministro não reincidem, afinal, na inconstitucionalidade denunciada antes pelo Tribunal competente?...

Pretende este governo relapso cometer suicídio?...

publicado por Carlos Botelho às 01:16 | comentar | ver comentários (23) | partilhar

"Uma falsa polémica historiográfica"

A justa perplexidade do Fernando Martins: aqui.

publicado por Carlos Botelho às 00:33 | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Da RTP (10)

tags:
publicado por Carlos Botelho às 00:18 | comentar | partilhar
Sexta-feira, 07.09.12

Cabeça de fósforo

Ele aproxima o fósforo aceso do livro e, provocador, pergunta ao outro: tens cinco segundos para me mostrar a importância deste monte de papel, em cinco segundos tens de me mostrar que não devo queimar este livro.

Num certo sentido, ele tem razão. De facto, o livro arde rapidamente - muito mais rápido do que leva lê-lo ou comentá-lo. Queimá-lo é garantido, é seguro, é sempre mais fácil. Está ao alcance de qualquer um. Pelo contrário, tentar pensá-lo é "incompreensível", "ridículo", risível.

Os que aplaudem a política de "educação" do governo presente estão na posição do sujeito que empunha o fósforo.

publicado por Carlos Botelho às 17:30 | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Janelas

 

Ouve-se por aí, escuta-se com unção - para mais, agora que começa um ano lectivo -, que um livro "abre janelas para o mundo". Esta piedosa pirosice pretenderá, por certo, atrair os "jovens" e outros em geral para a "leitura". Com isso, consegue-se, talvez, uma aproximação "estatística" dos livros - não qualquer coisa como uma apropriação. Uma leitura não se constituirá, assim, naquilo que ela mesma é: um acontecimento estético.

Um livro não "abre janelas". Um livro rebenta paredes.

Ou acham que, por exemplo, A Metamorfose, ou o Padre António Vieira, ou a Cena do Ódio, ou a Primeira Carta aos Coríntios abrem janelas, se limitam a espreitar por uns buraquinhos que já lá estavam?...

publicado por Carlos Botelho às 15:28 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

esta crise é passageira

Não me refiro obviamente à nossa, mas à crise dos Outros. Temos que lhes dar razão – em breve tudo voltará à normalidade - esta não passou de uma crise passageira iniciada pela revolução industrial.

 

 

(A previsão do GDP do Resto do Mundo para 2030, feita em 2008, só peca por defeito.)

publicado por Victor Tavares Morais às 07:57 | comentar | ver comentários (3) | partilhar
Quinta-feira, 06.09.12

A falta que a memória faz...

Aguiar Branco quer defesa militar conjunta com Espanha

 

e ainda só passou uma década!

 

Marinha portuguesa afastou «Prestige»

 

mas os exemplos são quase diários.

publicado por Victor Tavares Morais às 13:37 | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sensatez

 

"(...)

Gostaria, porém, de chamar a atenção para um ponto que, podendo parecer da ordem do lírico ou metafísico, me parece deveras esquecido ou secundarizado. A RTP é uma instituição, uma instituição sedimentada e radicada na sociedade portuguesa, com a qual os portugueses desenvolveram um sentimento de afeição e de pertença. A RTP, enquanto instituição, não é apenas património material do Estado, é património imaterial dos cidadãos. E as instituições, especialmente quando suscitam e concitam essa empatia dos cidadãos, devem ser cuidadas e respeitadas.

 Em Portugal, subsiste este hábito insalubre de, a cada ímpeto reformista, reinventar a roda, desaproveitando todo o esforço material e toda a cultura organizacional que perfazem uma instituição. As nossas reformas vivem sempre sob o espectro da tentação revolucionária, com o seu alegado potencial de destruição criativa. Cada reformador toma-se e imagina-se como o primeiro, o último e o definitivo. E essa recorrente apetência revolucionária gera uma enorme resistência à implantação e à estabilização de verdadeiras instituições, cria uma singular repulsa à instalação de “culturas institucionais”. Portugal precisa de referências, de marcas identitárias, de culturas organizativas e institucionais nas quais se mire e se reveja, especialmente em tempos de grande incerteza e instabilidade, de insegurança e volatilidade. Portugal precisa de instituições, mesmo quando estas carecem ostensivamente de reforma, de aperfeiçoamento e de mudança.

 Ora, nem todos parecem estar conscientes de quão incómodo é para a grande maioria dos portugueses e, nomeadamente, para as depauperadas classes médias um eventual processo de expropriação colectiva da RTP, especialmente se precedido de uma propedêutica de “aviltamento” e “rebaixamento” da instituição. Em política, como na vida, os sentimentos contam. O Governo tem licença democrática para renovar o panorama audiovisual e para o adequar às exigências de um Estado financeiramente responsável. Mas, qualquer que seja a solução, não deve esquecer que a RTP não é apenas uma empresa, é uma instituição. E se é verdade que ela faz parte da mobília, também não é menos certo que ela faz parte da família. E uma coisa é mobília e outra, assaz diversa, é família…"

 

Paulo Rangel, aqui. [Os sublinhados são meus.]

publicado por Carlos Botelho às 01:17 | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

pesquisa

 

posts recentes

links

Posts mais comentados

últ. comentários

  • ou podre
  • http://fernandovicenteblog.blogspot.pt/2008/07/si-...
  • O pagamento do IVA só no recibo leva a uma menor a...
  • O ranking tal como existe é um dado absoluto. Um r...
  • Só agora dei com este post, fora do tempo.O MEC af...
  • Do not RIP
  • pois
  • A ASAE não tem excessos que devem ser travados. O ...
  • Concordo. Carlos Botelho foi um exemplo de dignida...
  • ou morriam um milhão deles

tags

arquivos

2014:

 J F M A M J J A S O N D

2013:

 J F M A M J J A S O N D

2012:

 J F M A M J J A S O N D

2011:

 J F M A M J J A S O N D

2010:

 J F M A M J J A S O N D

2009:

 J F M A M J J A S O N D

2008:

 J F M A M J J A S O N D

2007:

 J F M A M J J A S O N D

2006:

 J F M A M J J A S O N D

subscrever feeds