Cheira a gás e a dinheiro

 

Está a rodar “Promised Land”, um filme político que promete não passar despercebido. É um filme que tem o actor Matt Demon como cabeça de cartaz e cujo argumento foi escrito por ele em conjunto com John Krasinski. Este é o filme de maior orçamento alguma vez realizado sobre a indústria do gás nos EUA – neste caso a nova indústria do gás de xisto (shale gas). Não são conhecidos muitos detalhes do filme, apenas se sabe que estão a terminar a rodagem na cidade de Apollo, no estado da Pensilvânia.

Hollywood entrou no jogo político e apostou na controvérsia causada pelo tema da exploração de gás. Depois de “Gas Land” (2010) - um filme de Josh Fox imbuído de muito activismo mas que conseguiu, apesar de tudo, ser nomeado para os Óscares, tendo perdido para o famoso documentário "Inside Job". Agora com a entrada de Hollywood as apostas subiram, é um outro campeonato.

As dificuldades para a indústria do gás, após a exibição e divulgação de “Promised Land”, vão ser maiores do que em 2010. O impacto internacional do filme também não é de desconsiderar. No entanto, os produtores do filme querem fazer crer que não há uma tomada de posição, mas ninguém parece acreditar. É óbvio que, para além de algum activismo com que possa vir embrulhado o filme, a indústria cinematográfica também o faz neste momento por dinheiro.

 

Mas a entrada de Hollywood na polémica é meritória. Só uma indústria muito poderosa, como é a indústria cinematográfica americana, pode pretender desafiar a ainda mais poderosa indústria da energia. O poder do lobby da indústria americana da energia era até há pouco tempo inabalável, os muitos milhões gastos com políticos e advogados garantiam à indústria um estatuto de "intocáveis" - as coisas têm mudado muito, mas Hollywood pode acelerar a mudança. Repito as palavras de um profissional americano da indústria quando instigado a falar do tema – “O lobbying já não chega, os políticos e os advogados já não nos podem garantir o futuro, temos que ir falar directamente com as pessoas e explicar-lhes o que estamos a fazer, e como lhes poderemos melhorar a vida”. Agora vai ser uma luta dura, com muita demagogia à mistura, mas antes assim.

publicado por Victor Tavares Morais às 00:26 | comentar | ver comentários (3) | partilhar