A Cooperação Franco-Espanhola.

Como recordava a semana passada a Economist, com Zapatero a Espanha deixou de ter política externa após a retirada das suas tropas do Iraque (embora a “retirada” tenha sido, sobretudo, uma iniciativa para consumo interno). Um dos resultados mais visíveis desta tragédia na definição e gestão da política externa espanhola é a crescente dependência de Madrid em relação a Paris, recordando peripécias políticas várias ocorridas em vésperas da guerra de sucessão espanhola e figuras ímpares como Luís XIV de França e Carlos II de Espanha.
Digo isto por duas singelas razões. Primeira: Zapatero teve de implorar a Nicolas Sarkozy um lugar na cimeira dos G 20 (e este deu-lha ainda não se sabe a troco do quê). Segunda: Forças de segurança interna gaulesas – e há quem diga que também com o contributo precioso de serviços de informação norte-americanos – capturaram mais um terrorista da ETA no sul de França. Perante tudo isto, alguns comentadores políticos espanhóis, cegos diante das evidentes limitações de Zapatero, falam da França e dos franceses como irmã e irmãos, ao mesmo tempo que exortam as virtudes da cooperação entre os dois países. E no entanto, na política externa como em muitas outras coisas, não se pode falar de cooperação quando um faz e manda e outro vê e obedece. De tudo isto só se pode concluir que não é só a economia espanhola que vem por aí abaixo. É sobretudo preocupante ver o nosso único vizinho neste estado de quase coma político.
publicado por Fernando Martins às 18:55 | comentar | partilhar