Uma (verdadeira) campanha de ódio (*)

"Rose Vichy" de Fernando Gabriel no Diário Económico

 

Em 1918 Franz Kafka redigiu uma carta dirigida ao seu pai, Hermann, que a mãe nunca teve coragem de entregar ao destinatário. Recordo-me sobretudo do prefácio do tradutor, sublinhando que Hermann não atraiu o ódio do filho pelo exercício prepotente ou violento da autoridade, mas por esperar dele algo de que Franz era incapaz: a normalidade. O sarcasmo paternal exacerbou o sentimento de culpa de Franz e este retribuiu com uma denúncia histérica da vida familiar, cuja qualidade poética é inversamente proporcional ao conteúdo de verdade. No final, prevalece um sentimento de empatia pelo pai de Kafka, acusado pelo filho em desagregação mental. A Carta ao Pai mostra como o ódio enquanto motivação da escrita produz facilmente efeitos contrários aos pretendidos. Recordei-me disto enquanto lia a recém-editada "biografia" de Marine Le Pen, presidente da Front National e candidata presidencial, escrita em co-autoria por Caroline Fourest e Fiammetta Venner.

 

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(*) Para distinguirem da outra que nos querem convencer que existiu

publicado por Miguel Noronha às 10:56 | partilhar