Terça-feira, 02.08.11

BPN: "Uma solução onerosa para os contribuintes"

Tavares Moreira faz uma resenhada história da nacionalização do BPN. Um pormenor chamou-me a atenção. Conta Tavares Moreiraque o Ministro Teixeira dos Santos terá recusado um plano de recapitalização e recuperação do BPN apresentado pela equipa de Miguel Cadilhe. Este previa uma comparticipação pública de 600 milhões de euros (eventualmente reembolsável) o que foi recusado pelo Ministro alegando que não podia aceitar que fossem os portugueses a suportar as perdas. Resolvi procurar provas do que Tavares Moreira afirmava. E aqui está ela (meus destaques):

O Ministério das Finanças reagiu, esta segunda-feira, com surpresa às declarações do presidente do Banco Português de Negócios (BPN), reafirmando que a proposta do banco era muito «onerosa para os contribuintes».
 
Miguel Cadilhe criticou, esta segunda-feira, a decisão do Governo de nacionalizar o banco, classificando-a como uma solução «desproporcionada», afirmando que esta não foi a decisão que propôs, e recusou continuar à frente da instituição após a passagem do controlo para o Estado.

«Foi solicitado ao Estado que injectasse 600 milhões de euros no banco, o que implicaria que, parte das perdas existentes fossem de imediato da responsabilidade do Estado», explica o Ministério das Finanças, em comunicado.

 

Segundo a tutela, «a situação de insolvência do banco e as suas perspectivas de evolução eram tais, que as possibilidades do Estado recuperar aquele montante eram diminutas, impondo assim aos contribuintes um custo inaceitável».

 

O comunicado dá ainda conta da surpresa do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, com o facto de uma «proposta tão onerosa para os contribuintes tenha sido feita por um anterior titular da pasta».

Desta forma, a solução "menos" onerosa para os contribuintes custou-nos até agora 2.4 mil milhões de euros e dependendo do que ainda conseguir recuperar dos "activos tóxicos" e das indemnizações pode chegar aos 4 mil milhões. Mas Miguel Cadilhe é que era irresponsável ao propor aquele plano.
publicado por Miguel Noronha às 12:05 | partilhar
Quarta-feira, 08.06.11

Pela privatização total da CGD

Miguel Cadilhe, ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva, defendeu, em entrevista à Rádio Renascença, a privatização total da Caixa Geral de Depósitos. Cadilhe diz que a medida se justifica, “como último recurso”, por causa da “situação tremenda”, do ponto de vista financeiro, que o país atravessa.

 

Cadilhe (que contrariamente ao que muitos pensam não será propriamente um liberal) defende a medida devido ao encaixe financeiro da operação. Eu subscrevo esta proposta pelo que esta significaria em termos da redução do intervencionismo estatal na economia frequentemente usado (como no caso do governo socialista) com fins políticos. Os estatistas do costume vão rasgar as vestes e falar no "papel estruturante da Caixa", dos perigos do "mercado selvagem" e clamar pelo "controlo político da economia" (ie querem mandar na propriedade alheia). Conhecemos perfeitamente o legado do socialismo dirigista e vamos pagar a conta durante muitos anos. Eles querem guardar os seus "brinquedos".

publicado por Miguel Noronha às 08:49 | partilhar
Domingo, 06.01.08

Newspeak de Menezes

«Fala em partidarização dos lugares na banca, mas quando esta questão se colocou foi o primeiro a pedir que fosse nomeado para a Caixa um gestor da área do PSD.
Não fui eu que disse isso (...). O que disse é que, atendendo às circunstâncias actuais de funcionamento da sociedade -- que espero que se modifiquem no futuro --, se devia manter a prática que vinha do tempo dos governos do prof. Cavaco Silva de marcar simbolicamente a liderança de duas instituições com tanta importância e tanto peso como a Caixa e o BdP escolhendo gestores, naturalmente competentes e insuspeitos, mas que, por serem de sensibilidades políticas diferentes, fossem capazes de passar para o exterior sinais de equilíbrio», sublinhou Luís Filipe Menezes (PÚBLICO, 6.1.2007: 2).
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Realmente, Menezes não disse isso... O que disse foi o seguinte:
«Luís Filipe Menezes considerou que Cadilhe "seria um grande presidente da CGD", afirmando que "está na altura de o Governo nomear para presidente da CGD uma personalidade próxima da área do maior partido da oposição". "Era aquilo que o PSD quando estava no poder fazia. Cavaco Silva fez isso numa lógica ética de equilíbrio de poder. Espero que agora não haja o apetite de controlar tudo e todos", sustentou» (TSF, 22.12.2007).
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Como facilmente se confirma, Menezes «[não] foi o primeiro a pedir que fosse nomeado para a Caixa um gestor da área do PSD».
publicado por Joana Alarcão às 16:05 | comentar | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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