Quinta-feira, 09.06.11

O famoso "brain drain"

 

O Prof Álvaro Santos Pereira apresenta um gráfico que mostra, por país, a percentagem de licenciados que emigra.  Portugal está no topo da escala com mais de 20%. É claro que um valor elevado neste indicador pode ser reflexo de um elevado montante de investimento no exterior. Porém, não me parece que esta seja de longe a principal motivação da elevada taxa de emigração de licenciados portugueses.Convém também referir que dada a estrutura de financiamento do ensino superior em Portugal (principalmente via impostos) os contribuintes portugueses andam a subsidiar a formação de profissionais qualificados a países estrangeiros. Frequentemente mais abastados que nós. 

publicado por Miguel Noronha às 09:14 | partilhar
Sexta-feira, 11.06.10

Risco de bancarrota

Para evitarmos a bancarrota é condição necessária mas não suficiente estabilizarmos os rácios da dívida pública e dívida externa sobre o PIB. Pode não ser suficiente porque os mercados podem não gostar de esperar tanto tempo quanto o necessário para a estabilização e/ou podem não gostar do nível de dívida a que esta “estabiliza”. É importante lembrar que “estabiliza” em relação ao choque actual, mas se levar (como vai levar de certeza) outro choque, as condições de estabilização agravar-se-iam.

Partindo do princípio que o PEC revisto se concretiza, a dívida pública estabilizaria próximo dos 90% do PIB em 2012. O valor é elevado, na fronteira do que conduz a baixos níveis de crescimento, mas poderá ser atingido dentro de dois anos, o que poderia sossegar os investidores. No entanto, como não considero que esta seja a restrição activa, nem vou perder mais tempo com as contas públicas.

O verdadeiro problema, o problema adormecido que deverá erguer-se com uma fúria mitológica, é a dívida externa. Segundo (implicitamente) o PEC a dívida externa deverá subir de 110% para 130% do PIB em 2013, sem o menor abrandamento no seu ritmo de crescimento. Ou seja, não só não se prevê uma estabilização desta dívida em percentagem do PIB, como nem sequer se prevê um abrandamento no seu ritmo de crescimento.

Segundo a OCDE (25-Mai-10) a Grécia deverá conseguir uma forte contracção do seu défice externo entre 2008 e 2011 (de 14,6% para 6,7% do PIB), Espanha ainda deverá conseguir fazer melhor (de 9,7% para 3,3%) e Portugal (adivinhem…) uma muito modesta contracção (de 12,0% para 10,3%, aliás o mesmo valor de 2009), valores que contam a mesma história do nosso PEC.

É isto que explica que no discurso de ontem o PR tenha falado em “situação insustentável”, Sócrates não saiba o que diz e que no discurso de tomada de posse do novo governador do Banco de Portugal (7-Jun) este tenha dito isto:

A conjugação do agravamento das necessidades de financiamento externo de alguns Estados-Membros do euro, em particular daqueles que se confrontam com uma insuficiência estrutural de poupança interna, com a maior atenção e preocupação dos mercados financeiros com a sustentabilidade das trajectórias de endividamento dos agentes económicos – em especial os públicos, mas também os privados –, e o agravamento da restrição da oferta de financiamento externo, constitui hoje o maior desafio com que se depara a área do euro e, em particular, a economia portuguesa. (meu negrito)

Em resumo, ou uma nova versão do PEC prevê (com medidas, bem entendido…) uma forte diminuição do nosso défice externo, para além da redução do défice público, ou o nosso futuro próximo é a bancarrota. Existe um cenário intermédio: vivermos de empréstimos dos nossos parceiros durante a próxima década, mas parece-me altamente improvável que eles estejam pelos ajustes.

publicado por Pedro Braz Teixeira às 14:28 | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Cachimbos

O Cachimbo de Magritte é um blogue de comentário político. Ocasionalmente, trata também de coisas sérias. Sabe que a realidade nem sempre é o que parece. Não tem uma ideologia e desconfia de ideologias. Prefere Burke à burqa e Aron aos arianos. Acredita que Portugal é uma teimosia viável e o 11 de Setembro uma vasta conspiração para Mário Soares aparecer na RTP. Não quer o poder, mas já está por tudo. Fuma-se devagar e, ao contrário do que diz o Estado, não provoca impotência.

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